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A batalha do Toro

A Batalha do Toro opôs portugueses a castelhanos no dia 1 de março de 1476. À época existia uma disputa pelo trono de Castela, após a morte de Henrique IV e este confronto acabou por ser influente na ascensão ao poder de Fernando de Aragão.

Toro é uma localidade a uns 30 km a leste de Zamora, relativamente perto da fronteira de Trás-os-Montes. Foi nas suas imediações, mais precisamente junto à localidade de Peleagonzalo, que teve lugar uma batalha que opôs um exército castelhano, comandado por Fernando de Aragão, a um contingente português, sob o comando de D. Afonso V e do príncipe D. João, futuro D. João II.

Calcula-se que as forças em confronto estivessem em equilíbrio numérico, com cerca de 8 mil homens de cada lado. As tropas portuguesas regressavam ao Toro depois de um cerco à cidade de Zamora e foram surpreendidos pelas forças castelhanas.

O primeiro embate foi desfavorável aos portugueses, tendo D. Afonso V batido em retirada. Porém, a ala esquerda do exército português, a mais poderosa, formada por cavaleiros e sob o comando do príncipe D. João, retomou a ofensiva e infligiu uma derrota aos inimigos, tendo recuperado o estandarte real que tinha sido perdido no primeiro embate. É por isso que se diz que a batalha foi inconclusiva, porque não houve um vencedor claro do confronto.

 

  • Por que razão estava o rei e o príncipe de Portugal em Espanha?

Por esta altura, Portugal e Castela estavam em guerra, em disputa pelo trono castelhano. A crise foi desencadeada pela morte do rei Henrique IV, em 1474, que levou ao surgimento de dois partidos: o da sua filha D. Joana, com quem casou D. Afonso V, e D. Isabel, irmã do rei defunto e casada com Fernando de Aragão.

Era, portanto, uma guerra civil entre um partido português e um aragonês. D. Afonso V tinha o apoio da França e avançou por Castela em maio de 1475, estabelecendo a sua base em Zamora e no Toro, a partir de onde procurava obter o apoio de vários setores da nobreza castelhana para o seu partido e de D. Joana.

Houve confrontos em diversos pontos da fronteira e também no mar, entre navios portugueses e castelhanos. A batalha do Toro decorreu, precisamente, na contra-ofensiva de Fernando de Aragão, que reuniu um exército para expulsar os portugueses.

 

  • Teve consequências, a batalha?

Apesar do desfecho inconclusivo do confronto militar, a batalha do Toro assinalou um ponto de viragem na guerra. Fernando de Aragão conseguiu difundir por todo o reino a mensagem de que tinha obtido uma grande vitória e o equilíbrio de forças entre os dois partidos desfez-se rapidamente a favor dos Reis Católicos.

Do lado português houve deserções, parte do exército regressou a Portugal e o grosso da nobreza castelhana passou a alinhar por Isabel. Aliás, em Portugal havia pouca motivação para o envolvimento numa guerra com o país vizinho.

D. Afonso V perdeu gradualmente os apoios de que dispunha e aceitou renunciar à coroa de Castela, sobretudo quando a França se retirou do conflito. As negociações de paz conduziram ao Tratado de Alcáçovas, no qual D. Afonso V formalizou a sua desistência ao trono castelhano e reconheceu a legitimidade de Isabel. Esse Tratado incluiu igualmente algumas cláusulas sobre a divisão do oceano atlântico em esferas de influência, entregando as Canárias a Castela e concedendo a Portugal a exploração exclusiva de todo o espaço a sul desse arquipélago.

  • Temas: História
  • Ensino: 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Batalha de Toro
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Feito heróico de Duarte de Almeida, o Decepado: José Bastos

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