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A Cruzada das Mulheres

Com a declaração do estado de guerra em Março de 1916, as republicanas mobilizaram-se para dar apoio material e moral aos combatentes e suas famílias criando a "Cruzada das Mulheres". O feminismo da época prescindiu parcialmente da sua vertente pacifista e viu na guerra uma oportunidade de mostrar o seu valor.

“Laicizemos a instrução, demos à mulher uma educação racional e, sobretudo, útil e humanitária; […] Educadas, muitas reagirão, como nós mesmo fizemos, porque certamente poucas das mulheres aqui reunidas terão deixado de ter uma primitiva educação religiosa, embora não fanática. Ignorantes é que nada nos podem servir senão de vergonha e amesquinhamento.” Estas palavras foram proferidas em 1908 por Ana de Castro Osório, no Congresso Nacional de Livre Pensamento.

Há muito que se reivindicava a igualdade de direitos e a vontade de intervir nos acontecimentos. Seria no associativismo que o feminismo melhor se expressaria.

Menos de duas semanas após a declaração de guerra a Portugal, o laicismo expressou-se na forma da “Cruzada das Mulheres Portuguesas”, herdeira do movimento Pró Pátria.

Presidida por Elzira Dantas Machado, mulher do presidente Bernardino Machado, contando também com suas filhas e outras familiares de políticos e militares notáveis, a Cruzada aglutinou quase uma centena de mulheres da elite republicana.

Ana de Castro Osório ocupou-se da comissão de propaganda e organização do trabalho. Ela via na guerra uma oportunidade para as mulheres mostrarem o seu valor, as suas capacidades de organizar a vida familiar e social, de intervir na economia, e de participar politicamente no destino do país. O exemplo vinha de fora através das notícias dos países em guerra, onde as mulheres garantiam trabalho até aí assegurado pelos homens.

E não se tratava apenas de tricotar agasalhos para os combatentes ou de angariar fundos. A Cruzada das Mulheres Portuguesas criou dezenas de subcomissões locais e internacionais com diferentes funções. Organizou o Instituto Clínico, em Campolide, destinado à convalescença de feridos de guerra e as enfermeiras formadas por esta associação exerceram nos hospitais de Belém e da Estrela, no Instituto de Reeducação dos Mutilados de Guerra em Arroios e no Hospital de Recuperáveis de Hendaye nos pirenéus franceses.

Prestaram ainda assistência aos militares mobilizados, às mulheres dos mesmos, mesmo àquelas que apenas viviam em união de facto, e aos filhos. Criou escolas profissionais, creches, orfanatos e angariou fundos através da organização de quermesses, festivais, saraus artísticos, récitas e lotarias. Uma das iniciativas mais badaladas à época foi a recolha de donativos com a Festa da Flor realizada em 1916, por iniciativa do jornal “O Século” e em que participaram monárquicas e republicanas.

Para ler este artigo na íntegra clique AQUI.

Ficha Técnica

  • Título: Postal da Grande Guerra - A Cruzada das Mulheres
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Sílvia Alves
  • Produção: RTP
  • Ano: 2016

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