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A guerra Anglo-Zulu

A 12 de janeiro de 1879, um exército britânico composto por cerca de 8000 homens e dividido em 3 colunas atravessou a fronteira entre a colónia do Natal e as terras dos Zulus, na atual África do Sul, e avançou em direção a Ulundi, a capital do reino.

A invasão ocorreu após se ter esgotado o prazo concedido pelo Alto Comissário britânico, Sir Henry Bartle Frere, ao rei zulu Cetshwayo, para cumprir os termos de um ultimato que lhe fora entregue um mês antes. O ultimato previa, entre outras condições, o pagamento de uma indemnização por danos causados aos súbditos britânicos, a liberdade de movimentos dos missionários europeus no reino e a desmobilização do exército zulu.

Além disso, colocava o reino sob a vigilância de um agente da coroa, que deveria supervisionar o cumprimento integral do acordo. Cetshwayo, embora não tivesse intenção de enfrentar o Império Britânico, não podia aceitar os termos humilhantes do ultimato, ao qual não respondeu, compreendendo naturalmente que isso significava a guerra.

 

  • Quais foram as causas da guerra?

O conflito teve origem nas ambições britânicas de expansão na África Austral, depois de terem obtido o controlo da colónia do Cabo no rescaldo das guerras napoleónicas.

A descoberta de jazidas de diamantes no interior despertou o interesse por esta região e, a certa altura, os britânicos decidiram ampliar o seu controlo sobre todo o Sul do continente africano mediante a criação de uma federação de estados e áreas tribais.Para isso teriam, contudo, que lidar com as repúblicas dos Boeres, ou seja, os descendentes dos colonos holandeses, e vários povos e reinos africanos. O principal obstáculo a este projeto era o reino dos Zulus, que possuía um estado centralizado e um exército com alguma dimensão.

As autoridades britânicas tomaram partido das rivalidades e tensões que existiam entre as várias potências e provocaram vários incidentes com o objetivo de forçar Cetshwayo à guerra. A emissão do ultimato, em dezembro de 1878, foi o derradeiro passo de uma estratégia de pressão e de provocação, que acabou por levar à intervenção militar naquele reino.

 

  • E qual foi o resultado?

De início, a entrada do exército britânico na terra dos zulus não deparou com qualquer resistência. Confiante na superioridade das suas forças, o comandante inglês, Lord Chelmsford, acabou por ser imprudente e por subestimar a agressividade e a capacidade ofensiva do exército inimigo.

No dia 22 de janeiro, uma força de 20 mil guerreiros zulus dizimou a coluna central do contingente britânico em Isandlwana, levando ao colapso da ofensiva inglesa. A derrota militar foi considerada como uma humilhação pelos ingleses, que desencadearam uma nova invasão pouco depois.

O rei Cetshwayo, que pretendia apenas obter uma vantagem estratégica que lhe permitisse uma paz honrosa com os britânicos, viu-se confrontado com uma ofensiva maciça que não estava, naturalmente, em condições de enfrentar. Foi derrotado numa batalha final, em julho, e acabou por ser feito prisioneiro pelos britânicos. O exército zulu foi neutralizado e desmembrado e o reino foi dividido entre as diversas chefias, transformando-se num protetorado britânico.

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  • Temas: História
  • Ensino: 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Início da Guerra Anglo-Zulu
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2018
  • Imagem: Batalha de Isandhlwana, Natal. Charles Edwin Fripp

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