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A imprensa e a propaganda na Grande Guerra

Apresados os navios alemães nos portos portugueses, a Alemanha declarou guerra a Portugal. O país unificou-se e mobilizou-se – foram recrutados todos os portugueses entre os 20 e os 45 anos, sem excepção –, e a imprensa ora criou discursos inflamados, ora caricaturas a partir da atualidade.

Antes de entrar em ação o lápis azul da censura, a imprensa utilizou as manobras possíveis na altura fazendo críticas mordazes com brejeirices à mistura, mas quando a censura foi introduzida o tom das notícias mudou.

Num Portugal em que quase três quartos da população era analfabeta e 60% dos habitantes retiravam sustento do sector agrícola, inflamava-se o discurso patriótico, enaltecia-se a raça viril e civilizadora e glorificava-se a raça latina, a Pátria ditosa.

Apelava-se de todas as formas possíveis à união e ao esforço nacional contra o Imperialismo alemão, contra o bárbaro, contra o Papão.

Mas a propaganda ia para além das publicações periódicas e o postal surgiu também como um veículo de divulgação das posições aliadas, para além de um instrumento de comunicação.

O postal torna-se veículo de patriotismo. Colorido com fio de seda ou apenas ilustrado, este pequeno formato transforma-se num moda que espalha ideias e imagens, multiplica o discurso, e cresce ao longo da Grande Guerra chegando a circular mais de 70 milhões de exemplares por ano.

Exaltam-se os países aliados, as velhas alianças. Erguem-se e desfraldam-se bandeiras, mesmo que por vezes estas conduzam ao engano como aconteceu muitas vezes com as imagens produzidas fora de Portugal. Em muitos o país surgia representado não com a bandeira republicana, mas com o velho estandarte azul e branco da monarquia.

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Ficha Técnica

  • Título: Postal da Grande Guerra - Mobilização para a Guerra
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Sílvia Alves
  • Produção: RTP
  • Ano: 2016

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