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A invasão japonesa de Timor

Timor foi a única parcela de território português invadida durante a II Guerra Mundial. Primeiro chegaram forças australianas que se instalaram sem resistência e sem causar vítimas. Logo atrás vieram os japoneses que, em 1942, realizaram um ataque mortífero mantendo um clima de terror sobre timorenses e portugueses.

Na noite de 19 para 20 de fevereiro de 1942, uma frota japonesa chegou a Díli e desembarcou uma força de cerca de 1500 soldados, ocupando a cidade após uma breve resistência. Ao mesmo tempo, a marinha e a força aérea nipónicas atacaram a parte ocidental da ilha, sob administração holandesa.

A situação era delicada para as autoridades portuguesas: Portugal tinha declarado a sua neutralidade e o território de Timor Leste estava portanto abrangido por esta decisão. Acontece que a Austrália, a fim de impedir que o território constituísse um ponto de apoio ao avanço japonês, tinha ocupado Dili a 17 de dezembro.

O governo português considerou esta medida uma violação da neutralidade, protestou junto dos Aliados, e preparou um contingente militar que deveria sair de Moçambique para defender a colónia timorense de interferências estrangeiras, mas era já demasiado tarde.

Uma vez que Timor Leste estava ocupado pelos Aliados, o Japão considerou o território hostil e preparou a invasão, que ocorreu a 20 de fevereiro.

 

  • Timor foi, portanto, um palco da II Guerra Mundial?

A batalha de Dili foi breve e o contingente militar australiano ali destacado – chamado de “Sparrow Force” – retirou para as montanhas, onde estabeleceu uma base de resistência e guerrilha à ocupação japonesa.

As autoridades portuguesas na ilha não resistiram, dado o estatuto de neutralidade e a insuficiência das suas forças militares. Durante o período de ocupação japonesa, o governador da ilha, Manuel Abreu Ferreira de Castro, manteve as suas funções civis, teoricamente em regime de neutralidade, mas era evidente a simpatia dos portugueses e dos timorenses pelos aliados, que apoiavam discretamente.

 

  • Como evoluiu a guerra em Timor?

Depois de um curto período de tempo em que o contingente australiano conseguiu resistir e organizar a luta de guerrilha nas montanhas, os japoneses levaram a cabo uma vasta ofensiva por toda a ilha, com terríveis consequências para a população timorense.

O interesse estratégico da ilha para os Aliados diminuiu rapidamente, no contexto da evolução da guerra no Pacífico, pelo que os projetos de reconquistar Timor foram abandonados.

Nos finais de 1942 e em janeiro de 1943, os australianos evacuaram os seus homens da ilha, a que se juntaram alguns civis portugueses. Timor ficou sob plena ocupação japonesa até ao final da guerra.

 

  • Qual foi o desfecho?

A ocupação japonesa teve um terrível impacto junto das populações de Timor, com ações de represália sobre atos de resistência que causaram dezenas de milhares de mortos.

Ficou célebre a ação de D. Aleixo Corte Real, o chefe timorense que se opôs aos militares japoneses e foi fuzilado pelos ocupantes, em 1943. A 5 de setembro de 1945, depois do lançamento das bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki e da rendição do Japão, o comandante japonês entregou as suas armas ao governador português de Díli.

No fim desse mês, chegou à cidade um contingente militar português que retomou a posse do território e procedeu à reconstrução de edifícios e infraestruturas, que tinham sido seriamente danificadas pela ocupação japonesa.

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Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Início da invasão japonesa de Timor
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Imagem: Rendição da guarnição japonesa de Timor no Porto de Kupang

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