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A morte do Conde Andeiro

João Fernandes de Andeiro era um nobre galego do século XIV que ganhou a confiança do rei D. Fernando e que se tornou uma das figuras mais influentes da corte portuguesa durante este reinado. Gozava do favor pessoal do rei, que lhe atribuiu o título de 2º conde de Ourém, daí a designação comum de “Conde Andeiro”.

Desempenhou um papel importante nas manobras diplomáticas de D. Fernando junto da corte inglesa, no contexto das guerras em que se envolveu em Castela. Porém, a sua ligação pessoal à rainha D. Leonor e a forma como adquiriu poder e influência tornavam-no odiado e temido. Quando o rei morreu, a 22 de outubro de 1383, a rainha assumiu a regência e preparou a aclamação da infanta D. Beatriz, cujo casamento com o rei de Castela já tinha sido acordado. Esta situação suscitou oposição e agitação na corte e no país.

 

  • E como foi morto?

Foi morto no decorrer de um golpe palaciano, cuidadosamente preparado pelo mestre de Avis e os seus apoiantes. O Mestre de Avis era filho ilegítimo do rei D. Pedro, e era figura em torno do qual se juntaram os setores da sociedade, sobretudo os burgueses de Lisboa e alguns setores da nobreza, descontentes com a regência da rainha e o poder crescente do Conde Andeiro, que consideravam que colocava em risco a independência nacional. Contava com o apoio do povo de Lisboa, que odiava a rainha.

O principal sinal de preocupação era o facto de o rei de Castela já se intitular “rei de Castela e de Portugal”, apesar de os termos do tratado de casamento com a infanta D. Beatriz não o permitirem. Portanto, no dia 6 de dezembro, um grupo de homens, liderado pelo mestre de Avis, entrou no Paço e matou o Conde Andeiro às punhaladas. Ao mesmo tempo, e numa manobra combinada, os seus partidários percorriam as ruas de Lisboa a dizer que estavam a matar o mestre, o que levou uma multidão a juntar-se às portas do paço. O episódio ficou descrito por Fernão Lopes, em cores particularmente vivas, na sua crónica de D. João I.

 

  • Foi portanto o início da revolução de 1383-85?

Sim, a morte do conde Andeiro marca o desencadear da crise política, que teve o seu desfecho apenas dois anos mais tarde. Foi um período de guerra civil, onde se confrontavam vários partidos, nomeadamente os que apoiavam a rainha D. Leonor e os direitos da infanta D. Beatriz e os que recusavam esta solução e temiam a perda da independência, e que se juntavam em torno do mestre de Avis.

É curioso assinalar o facto de o que estava em causa era, de facto, o incumprimento do rei D. João de Castela das cláusulas do tratado de casamento, uma vez que o Mestre de Avis chegou a aceitar soluções negociadas com a rainha. Foi a ambição deste rei em tomar a coroa de Portugal que acabou por suscitar a reação mais profunda por parte das cidades portuguesas e, em última análise, o desfecho da crise.

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  • Temas: História
  • Ensino: 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Morte do Conde Andeiro
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2016
  • Conde andeiro: A Morte do Conde Andeiro/ José de Sousa Azevedo - 1860

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