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A perseguição romana aos cristãos

Para o imperador Diocleciano os cristãos representavam um perigo para a unidade do império. Na tentativa de reabilitar as antigas tradições religiosas avançou com a perseguição à crença e aos seus seguidores.

Foi no dia 23 de fevereiro do ano 303 que o imperador Diocleciano tomou a primeira medida do que viria a ser a fase derradeira, e mais severa, perseguição aos cristãos no Império Romano: ordenou a destruição da igreja de Nicomédia (atual Izmit, na Turquia), dos objetos de culto, das escrituras cristãs e o confisco dos bens.

Aparentemente, a data foi escolhida por ser o dia dedicado ao deus romano Terminus, o deus das fronteiras, assinalando deste modo uma fronteira, uma nova etapa. No dia seguinte, emitiu um édito que ordenava a proibição do culto cristão e a destruição de todas as igrejas, objetos e documentos usados nas cerimónias cristãs.

 

  • Quanto tempo durou e que impacto teve?

Ao longo dos meses seguintes foram emitidos vários éditos que completavam o sentido do primeiro: prisão de bispos e sacerdotes, confisco de bens e a obrigação dos crentes fazerem sacrifícios aos deuses do panteão romano, sob pena de prisão ou morte.

O efeito destes éditos, que supostamente deveriam abarcar todo o Império, teve impactos diferentes nas diversas províncias, porque a sua aplicação e o seu maior ou menor rigor ficavam ao critério das autoridades e dos juízes de cada região.

Houve perseguições, prisões e condenações à morte, sobretudo nas províncias orientais do Império. Na Gália e na Bretanha a sua aplicação parece ter sido muito mais suave.

Isto estava também relacionado com o facto de o Império Romano estar dividido em quatro grandes porções e o poder imperial estar repartido e não concentrado nas mãos de um único imperador.

A perseguição aos cristãos durou pouco tempo. Com a abdicação de Diocleciano, em 305, as perseguições foram suspensas e terminaram oficialmente em 311.

 

  • Quais os motivos para as perseguições religiosas no Império Romano?

De início, o cristianismo era apenas uma entre muitas religiões que existiam no império, mas à medida que se espalhou e deixou de ser uma religião de classes baixas, passou a constituir uma ameaça à paz social e, mais tarde, ao próprio poder imperial.

Os cristãos recusavam-se a participar nas celebrações coletivas, não prestavam culto aos deuses de Roma ou ao imperador e eram, portanto, encarados com suspeita e hostilidade pela generalidade dos cidadãos romanos.

As perseguições do reinado de Diocleciano prendem-se com as tentativas levadas a cabo pelo imperador para restaurar a unidade do império e reabilitar as antigas tradições religiosas, que os cristãos se recusavam a acatar.

Não era só, portanto, um problema religioso, mas sobretudo político. Apesar das diferenças, podemos traçar um paralelo com as perseguições aos cristãos ocorridas no Japão do século XVII.

Seja como for – e ao contrário do que aconteceu no Japão – os imperadores romanos acabaram por compreender que combater os cristãos era muito mais perigoso do que aceitá-los, o que veio a ser reconhecido pelo imperador Constantino no ano 313.

Ouça aqui outros episódios do programa Dias da História

  • Temas: História
  • Ensino: 2º Ciclo, 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História -Início das perseguições aos cristãos pelo imperador Diocleciano
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Imagem: Perseguição aos cristãos de Henryk Siemiradzki

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