Pesquisar

Animais selvagens e uma ameaça chamada veneno

Comem carne temperada com veneno e ficam condenados a morrer, vítimas de uma prática ilegal e sem castigo. São carnívoros, sobretudo predadores, a enfrentar um perigo servido pelo homem, seja de forma intencional ou por negligência. A mortandade é grande, e muitas espécies, algumas em vias de extinção, ficam em acelerado declínio. Mas as substâncias tóxicas têm ainda outras consequências imprevisíveis e ameaçadoras. A ver nesta reportagem.

O isco é para matar em qualquer parte do mundo. Tem carne com veneno para os predadores mal amados pelo homem, aqueles que é preciso manter longe das colheitas, do gado, dos animais domésticos ou das presas exclusivas ao tiro dos caçadores. Seja a raposa que ataca os galinheiros ou o abutre que se alimenta de cadáveres, todos são alvos a abater de forma dramática e indiscriminada. Na lista portuguesa há águias, milhafres, grifos, cães e gatos assilvestrados, roedores e muitos outros mamíferos. O método letal é uma dupla sentença para as espécies ameaçadas de extinção, como o lobo-ibérico e o lince-ibérico.

Perseguidos à margem da lei com substâncias tóxicas, algumas proibidas na União Europeia como a estricnina, estes animais ficam totalmente expostos à morte. Quem pratica o crime talvez desconheça que está a contribuir para o declínio de espécies raras e vulneráveis, fundamentais ao equilíbrio dos ecossistemas. O que seguramente não saberá é que o seu veneno pode contaminar água e solos e ter consequências imprevisíveis para a saúde pública das comunidades locais. Tudo pode acontecer. Como o caso registado em Espanha, em 2017: um isco envenenado foi parar às mãos de um rapazinho, que acabou por morrer.

Em Portugal, os envenenamentos são graves e preocupantes, embora os números continuem aquém da realidade porque a maior parte das vítimas de intoxicação não chega a ser identificada. Tal e qual como os autores deste crime, até agora, sem rosto e sem castigo. Por muito que se tropece nas mortes destes animais, que se investigue e façam inquéritos criminais, permanecem verdadeiros mistérios arquivados.

Se há mais de 50 anos as autoridades portuguesas e espanholas incentivavam e promoviam as famosas “Juntas de Extermínio de Animais Daninhos”, com permissão absoluta do uso de veneno nos campos; hoje o método é punido com pena de prisão. No entanto, a tradição aliada à facilidade em adquirir substâncias mortíferas, fazem desta prática criminosa uma ameaça aos animais, à natureza e ao homem. Por isso andam cada vez mais equipas a vigiar e a patrulhar o território, enquanto outras se dedicam a ensinar as populações a usar pesticidas, herbicidas e outros produtos de forma correta e segura. O antídoto eficaz para este veneno.

Ficha Técnica

  • Título: Linha da Frente - Veneno Selvagem
  • Tipo: Grande Reportagem
  • Autoria: Luís Henrique Pereira
  • Produção: RTP
  • Ano: 2018

A RTP utiliza cookies no seu sítio para lhe proporcionar uma experiência mais agradável e personalizada. Saiba mais aqui