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António Lobo Antunes: o médico psiquiatra no ofício da escrita

Desde o iniciático "Memória de Elefante", publicado em 1979, António Lobo Antunes leva para dentro dos seus romances o mundo que conhece bem. A infância em Benfica, a experiência na guerra colonial, os desencontros amorosos, são temas recorrentes nos enredos que compõe. E ao estudar a sua obra, ficamos a saber que o médico psiquiatra também influencia o escritor.

A medicina não estava nos seus planos, porque António Lobo Antunes nunca quis ser outra coisa senão escritor. Mas médico foi, por sugestão paterna, com especialização em psiquiatria. No consultório do Hospital Miguel Bombarda, nas sessões de análise com centenas de pacientes, reconheceu e compreendeu a dimensão da fragilidade humana. Há vozes ali ouvidas que se perpetuam nas crónicas e nos livros, personagens do passado envolvidas num eterno presente.

Depois da experiência na guerra colonial em Angola, onde esteve como tenente, cirurgião e psiquiatra, Lobo Antunes começa a escrever. Os primeiros romances, “Memória de Elefante”, “Os Cus de Judas” e “Conhecimento do Inferno”, considerados “de projeção autobiográfica”, são o princípio do universo antuniano, com questões que o vão acompanhar nas quase quatro décadas que leva do ofício.

Poucos anos depois da estreia literária, o escritor abandonou a atividade clínica. No entanto, tal como nos livros mencionados em que há protagonistas médicos, as referências à medicina e à psiquiatria nunca irão desaparecer totalmente do seu trabalho. É a leitura que faz Ana Paula Arnaut, especialista em literatura portuguesa, a sublinhar nesta entrevista a importância da formação profissional de António Lobo Antunes no estudo da sua obra

Ficha Técnica

  • Título: Entre Nós - Escritores Médicos
  • Tipo: Extrato de programa - Entrevista
  • Produção: Universidade Aberta
  • Ano: 2007

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