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Batalha de Nínive, no atual Iraque

Nínive é uma antiga cidade da Mesopotâmia, localizada junto à atual cidade de Mossul, no Iraque. Foi nos seus arredores que teve lugar, a 12 de dezembro de 627, a batalha decisiva de um longo conflito que durante mais de duas décadas opôs o império bizantino, ou seja, o império romano do oriente, ao império persa.

O confronto opôs um exército invasor bizantino com cerca de 50 mil homens e comandado pelo próprio imperador Heráclio, a cerca de 12 mil soldados persas liderados pelo general Rhahzadh. O imperador manobrou de forma a atrair os persas para a planície, onde as suas forças dispunham de vantagem nos combates de proximidade, não apenas por serem muito mais numerosas, mas também porque o nevoeiro existente reduzia a eficácia dos arqueiros persas.

Ao fim de oito horas de combate e depois de ter perdido metade das suas forças e o próprio general Rhahzadh ter morrido, o exército persa bateu em retirada. A batalha marcou o fim da última das chamadas guerras bizantino-sassânidas.

 

  • O que foi esta guerra?

A tensão e a hostilidade entre o império romano e o império persa remontavam ao século I a.C. O declínio e queda do império romano do ocidente e a ascensão da sua parte oriental, ou seja, Bizâncio ou Constantinopla, coincidiu o surgimento de uma nova dinastia persa, o chamado império sassânida.

As duas potências rivais envolveram-se em frequentes confrontos e campanhas militares a partir do séc. V. Em 602, os persas sassânidas reataram o conflito, após o assassinato do imperador bizantino Maurício por um usurpador. Invadiram os territórios inimigos, avançando pela Palestina, Egito e Ásia Menor, chegando a saquear Jerusalém e a cercar Constantinopla.

O novo imperador Heráclio conseguiu, contudo, suster o seu avanço e tomar a ofensiva, penetrando no Cáucaso, na Arménia e invadindo a Mesopotâmia, ou seja, o atual Iraque. A batalha de Nínive foi o momento decisivo desta campanha, que se saldou por uma vitória bizantina.

 

  • Que aconteceu depois?

A vitória bizantina em Nínive foi decisiva mas não esmagadora, ou seja, permitiu a Heráclio saquear a região e a própria capital da dinastia sassânida, mas não levou ao colapso do império persa. O seu rival, o rei Khosrov II, foi deposto e assassinado pelo seu próprio exército, e o sucessor apressou-se naturalmente a fazer um tratado de paz com os vencedores.

O Império Bizantino recuperou os seus antigos territórios, obteve a devolução das relíquias de Jerusalém que os persas tinham saqueado e recebeu uma indemnização de guerra, mas não impôs condições demasiado pesadas. Na prática, ambos os impérios estavam esgotados por anos sucessivos de conflito e de campanhas militares.

Ironicamente, o enfraquecimento mútuo das duas grandes potências do mundo mediterrâneo foi o fator decisivo para o sucesso de uma nova potência que emergiu pouco depois, o califado muçulmano, que rapidamente se expandiu e acabou por absorver ambos os impérios no decorrer dos séculos seguintes.

Ouça aqui outros episódios do programa Dias da História

  • Temas: História
  • Ensino: 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Batalha de Nínive, no atual Iraque
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Imagem: Carro de guerra Assírio, Museu do Louvre.

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