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Convento do Carmo, o gótico monumental de Lisboa

Mandado construir pelo Condestável Nuno Álvares Pereira, foi durante séculos o maior monumento gótico de Lisboa, até que o terramoto de 1755 o marcou para sempre. O restauro não apagou as cicatrizes mas as ruínas do Carmo mantêm uma imponência singular.

Terminada a Batalha de Aljubarrota, o novo rei D. João, primeiro da dinastia de Avis, manda construir um Mosteiro ao lado do campo onde  soldados portugueses garantiram a soberania em relação a Castela. Herói desta vitória que marca o fim do interregno de 1383-85, D. Nuno Álvares Pereira idealiza outro monumento, que havia de ser erigido longe de Alcobaça, no alto de uma encosta da capital do reino, de onde se avistava o Castelo de S. Jorge e o Rossio.

Após autorização do Papa Urbano VI,  deram-se início aos trabalhos no monte do Carmo, o que constituiu um desafio para os mestres da época: por duas vezes os alicerces cederam, mas por insistência do Condestável a obra fez-se. Em 1423, trinta e quatro anos depois, surgia em Lisboa o imponente Convento Carmelita de Nossa Senhora do Vencimento.

De traço gótico, o projeto conjuga a planta poligonal usada no Mosteiro da Batalha com as capelas escalonadas das construções mendicantes do século XIII. A igreja, a maior que existia na época, com quase 70 metros de comprimento, obedece à planta em cruz latina, de três naves colaterais, com capela-mor à cabeceira, ladeada por quatro absidíolos.

Foi todo o teto deste templo que desapareceu a 1 de novembro de 1755, quando a cidade foi arrasada por um dos mais devastadores terramotos de sempre. O convento manteve-se de pé, mas grande parte do património artístico doado por Nuno Álvares Pereira foi consumido pelo grande incêndio que ocorreu depois do sismo.

Será a rainha D. Maria I a interessar-se pela reconstrução do monumento, “o primeiro ensaio em Portugal daquilo que mais tarde se veio a chamar neogótico”, salienta a historiadora de arte Carla Varela Fernandes neste vídeo. Porém, por falta de financiamento, as obras são interrompidas e a igreja continuará a céu aberto, a lembrar aquele terrível dia feriado de Todos os Santos.

A degradação do espaço, que chegou a ser vazadouro público, foi travada no século XIX com a concessão do edifício à Real Associação dos Arquitetos Civis que lhe deram uma nova utilidade pública criando ali o Museu Arqueológico, o primeiro museu português.

Ficha Técnica

  • Título: Visita Guiada - Ruínas do Carmo
  • Tipo: Extrato de Programa Cultural
  • Autoria: Paula Moura Pinheiro
  • Produção: RTP
  • Ano: 2016

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