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Criação da Legião Estrangeira, em França

Por decreto assinado a 9 de março de 1831, o rei de França Luís Filipe autorizou a criação de um corpo militar autónomo designado por Legião Estrangeira. Seria formado exclusivamente por estrangeiros entre os 18 e os 40 anos de idade, que prestariam serviço durante 3 a 5 anos após alistamento voluntário.

A criação deste corpo militar especial correspondeu a uma necessidade de regulamentação e ordenamento do exército por parte do poder político francês, no rescaldo do fim do período revolucionário e da restauração da monarquia. A França possuía uma longa tradição de uso de tropas estrangeiras, nomeadamente suíças e alemãs. Não foi, portanto, por acaso que a Legião Estrangeira foi criada por pressão do ministro da guerra, o marechal Soult, veterano das guerras napoleónicas e o comandante de uma das invasões francesas de Portugal. Ao fim de alguns meses de recrutamento, foram constituídos vários batalhões, consoante a nacionalidade dos soldados. Um deles era exclusivamente formado por espanhóis e portugueses.

 

  • Que sucesso teve?

Os primeiros tempos da Legião Estrangeira foram marcados por grandes dificuldades no treino e na disciplina, problemas em criar laços de coesão entre soldados com experiências e motivações diferentes e falta de oficiais qualificados. Finalmente, ainda em 1831 seguiram os primeiros batalhões para a costa argelina, onde tiveram o seu batismo de fogo em abril do ano seguinte. A verdadeira prova de resistência da Legião ocorreu em 1835, quando foi enviada para Espanha para apoiar as forças do governo da rainha-regente Isabel II contra a insurreição carlista. Uma vez que o governo de Paris não pretendia envolver-se oficialmente no conflito, a participação francesa foi deixada à Legião Estrangeira, sob declaração formal de que esta não fazia parte do exército francês. Ao fim de quatro anos de campanha, durante a qual foram abandonados pelo governo francês, restavam menos de 200 homens, dos 6 mil iniciais. A Legião foi entretanto renovada e refundada e passou a atuar como tropa de elite em praticamente todos os cenários de guerra em que a França esteve envolvida desde então.

 

  • Continua em atividade?

Sim, a Legião Estrangeira permanece como um corpo de elite do exército francês, formado por cerca de 8000 soldados e que dispõe de autonomia de comando e de recrutamento. Durante a época colonial, a Legião atuou como força de intervenção nos diversos territórios ultramarinos da França. Depois do fim da Guerra da Argélia, em 1962, a Legião participou ativamente em diversos cenários de guerra, nomeadamente em operações militares no Chade, no Congo, na Costa do Marfim e no Afeganistão. Atualmente, a Legião Estrangeira constitui a força francesa mais importante envolvida numa ampla missão de vigilância no Sahel – ou seja, na região formada pela Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Níger e Chade – destinada a combater os grupos extremistas islâmicos. Uma das facetas mais interessantes da Legião Estrangeira é o prestígio que envolve os seus membros e as suas ações, não apenas no que diz respeito às suas tradições e valores, mas também na aura romântica do seu recrutamento e das suas atividades, e que foram amplamente difundidos na literatura e no cinema.

Ouça aqui outros episódios do programa Dias da História

  • Temas: História
  • Ensino: 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Criação da Legião Estrangeira, em França
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2018

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