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De Lisboa a Almada: a história de uma ponte no Tejo

Unir duas margens do rio, aproximar gentes, fazer do longe perto. Uma passagem para a outra margem do Tejo. Projetos houve muitos, desde finais do século XIX, mas a construção só começaria em 1961. Quatro anos depois, a ponte já não era uma miragem.

Foi o grande acontecimento do Verão de 1966 em Portugal. A ponte que unia Lisboa a Almada, a primeira a ser construída sobre o estuário do Tejo, era inaugurada com pompa e circunstância em Agosto, no dia 6. Apesar do calor, muitos milhares de portugueses aguardavam nas margens do rio o momento histórico: “Declaro aberta ao tráfego e posta ao serviço da Nação a Ponte Salazar”, disse Américo Tomás, o Presidente da República, acompanhado do chefe de governo e do cardeal patriarca, que acabara de benzer a obra emblemática do regime.

A ponte, concluída seis meses antes do prazo, com um custo total de dois milhões de contos – o equivalente a 11 milhões de euros- era uma ambição antiga. O primeiro projeto a ligar as duas margens na zona de Lisboa fora apresentado em 1876 pelo engenheiro Miguel Pais. Muitos outros foram sendo elaborados, mas só em finais dos anos cinquenta, pressionados pelo crescimento demográfico da capital, os governantes decidem avançar com um novo plano. O concurso público internacional é ganho pela empresa United States Steel Export Company, de Nova Iorque, à qual se associam mais algumas empresas nacionais e estrangeiras. A localização em Alcântara é aceite sem polémica.

Em 1963 começavam os trabalhos de construção daquela que viria a ser a maior ponte suspensa da Europa e a quinta maior do mundo. Uma obra de dimensões grandiosas traduzidas em números de igual proporção, como estes que servem aqui de exemplo: 6 milhões e meio de metros cúbicos de rocha e solo foram removidos dos acessos, utilizaram-se 72 660 toneladas toneladas de aço e 300 mil metros cúbicos de betão!

Com esta ponte, que começou por chamar-se Salazar, rebaptizada como ponte 25 de Abril depois da Revolução dos Cravos, mas que para muitos é simplesmente a “Ponte Sobre o Tejo”, mudou a paisagem do rio e o quotidiano de milhões de portugueses. Se nas primeiras 24 horas após a inauguração foi atravessada por 82 mil veículos, hoje é cruzada diariamente por compactas filas de trânsito. Em apenas duas décadas a população triplicou na margem sul e a ponte foi obrigada a adaptar-se aos novos tempos. Nos anos 90 começou a funcionar a quinta via da ponte e a travessia de comboio, tal como estava prevista desde o início, começou a ser possível no tabuleiro inferior.

Esta é a história da ponte que escapou a um ataque planeado por um grupo anti-regime para o dia da inauguração e que foi palco de um imenso buzinão contra o governo de Cavaco Silva. A mesma ponte que foi e continuará a ser uma passagem para a outra margem.

Ficha Técnica

  • Título: Ponte 25 de Abril faz 45 anos
  • Tipo: Peça de Informação
  • Autoria: João Botas
  • Produção: RTP
  • Ano: 2011

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