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Fartura e miséria em Tancos

A imagem que o governo dava de Tancos era de fartura e de boa vida, mas um olhar mais atento desmentia rapidamente esse quadro e se era verdade que chegavam alguns produtos em quantidade suficiente, havia muitos outros que faltavam aos militares. Uma informação que era censurada na imprensa...

A 22 de Julho de 1916 mais de 20 mil homens participaram numa parada militar em Montalvo, perto de Tancos. Foram também figurantes involuntários em dois filmes, uma encomenda do ministro da guerra Norton de Matos. A ideia era impressionar Portugal e os países estrangeiros.Um desses filmes ficou a cargo da Invicta Film – e aquando da estreia, já em Agosto, – o jornal “O Primeiro de Janeiro” noticiou o filme como sendo o melhor que Portugal alguma vez produzira!

Em poucos meses realizara-se ainda o “Milagre de Tancos”, também ele uma ficção! A realidade de uma instrução militar feita às pressas, com descrença e indisciplina à mistura era contrariada pelos relatos maravilhosos na imprensa – aquela que sobrevivia à censura…

Falava-se em boa comida, boa dormida e excelente pinga, mas pouco disso era verdade.

A vida na cidade de tendas, aliás conhecida por Paulona, com cerca de 20 mil habitantes, não era fácil. Para se ter uma percepção das dificuldades logísticas basta perceber que este número de habitantes transformava Tancos na “quarta cidade” do país.

Em termos de alimentação, e ao contrário do que alguns afirmavam, entravam diariamente toneladas de comida e milhares de litros de vinho, vindas do Entroncamento. O abastecimento de água, por outro lado, era insuficiente. Não havia também lona que chegasse para todas as tendas, armas, munições ou sapatos, obrigando a largas encomendas à indústria privada.

Também não faltava pão, este aliás era fornecido com tanta abundância que os soldados vendiam o excedente, bastas vezes a comerciantes locais, olhados como parasitas da fartura. A polícia apreendia latas de atum e sardinha compradas a 30 centavos aos soldados. Uns e outros queriam fazer negócio, mas as leis eram apertadas e as baiúcas eram obrigadas a fechar à noite e ao domingo para evitar a embriaguez da soldadesca.

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Ficha Técnica

  • Título: Postal da Grande Guerra - Viver em Tancos I
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Sílvia Alves
  • Produção: RTP
  • Ano: 2016

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