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A "poesia viva" de Florbela Espanca

É ela a poetisa do soneto. Os seus versos falam de amor, de sofrimento, de saudade, de solidão.
Florbela Espanca (1894-1930) escreve o primeiro poema aos 8 anos e aos 25 publica o primeiro livro. Chamou-lhe "Livro de Mágoas", afinal a história da sua vida.

Começa a fazer versos muito cedo, aos 8 anos, quando “já as coisas da vida me davam vontade de chorar”. Desde menina, Flor Bela de Alma da Conceição Espanca vive de forma intensa e dramática. Serão sempre as emoções, os sentimentos, matéria da sua poesia, escrita intuitiva e reveladora do mais íntimo de si.

Mas esta voz feminina que ousa falar da sensualidade, não é aceite nos mais exigentes círculos literários. As críticas causam-lhe desgosto. No entanto, são muitos os admiradores, os leitores, que se identificam com o seu tom confessional. E o seu génio é confirmado e reconfirmado até hoje, nas sucessivas reedições dos seus livros. O primeiro,”Livro de Mágoas” é publicado em 1919. Quatro anos depois sai “Soror Saudade”, a monja que é para muitos uma espécie de heterónimo.

Florbela, nasceu em Vila Viçosa em 1984. Filha ilegítima, só postumamente foi reconhecida pelo pai, homem da burguesia. Contudo, não foi por isso que teve uma infância mais infeliz.

Viveu alheia às convulsões políticas que acompanharam os primeiros tempos da República, mas pertencia ao núcleo de mulheres que desafiava convenções. Foi das poucas a estudar Direito na Faculdade de Lisboa e, sempre que lhe apetecia, usava calças, indumentária exclusiva do sexo masculino.

Desgostos na vida teve muitos. No amor, três casamentos, dois divórcios e muitos enamoramentos falhados, promessas de felicidade que não se cumpriam. Depois, a morte inesperada e violenta do irmão, os filhos que não teve.

Terá sido uma vida de tormentos, inquieta curta vida que se fez “poesia viva”, no dizer de José Régio. A obra prima, “Charneca em Flor” sai depois de ter desistido de viver, aos 36 anos.

 

Ficha Técnica

  • Título: Nome de Rua - Florbela Espanca
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Nunes Forte
  • Produção: Videofono
  • Ano: 1991

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