Pesquisar

Foca-monge: entre a ameaça e a necessidade de preservação

A foca-monge do Mediterrâneo, cujo nome científico é Monachus monachus, é a única espécie de foca residente em território português. Extinção é a palavra que paira sobre estes lobos-marinhos e protecção é o que deve andar na boca e ação de toda a gente.

O historiador açoriano Gaspar Frutuoso dá-nos conta da má impressão que as focas hão-de ter tido de nós logo no primeiro encontro, que remete para o século XV, quando João Gonçalves Zarco descobriu a Ilha da Madeira:  “Aqui se meteram com os batéis e acharam tantos lobos-marinhos que era espanto; e não foi pequeno refresco e passatempo para a gente; porque mataram muitos deles e tiveram na matança muito prazer e festa.”

Ao longo dos séculos seguintes, a foca-monge continuou a ser alvo de caçada pela sua pele e óleo e, em meados do século XX, já tinha aprendido à custa desta mortandade a refugiar-se da hostilidade humana em partes remotas da Ilha da Madeira e nas Ilhas Desertas.

Com a Revolução do 25 de Abril de 1974, muitos pescadores regressaram ao arquipélago, vindos de Angola, trazendo consigo redes de emalhar. O uso desta novidade na atividade pesqueira, por si só pouco selectiva, causou o crescente declínio dos recursos pesqueiros, apanhando também as focas que tentavam chegar ao peixe e aí morriam, presas, por afogamento. Curiosamente, os pescadores também não viam com agrado este evidente exemplo de que nem tudo o que vem à rede é peixe, dado provocar avultados estragos no equipamento de pesca, o que aumentou a morte intencional dos lobos-marinhos. Assim, a meio dos anos 80, o número de focas contabilizável no arquipélago era apenas de seis a oito indivíduos e confinados às Desertas. A extinção era, pois, uma palavra premente para a espécie naquela região.

A consciencialização do privilégio da existência destas e de outras espécies no nosso território foi ganhando terreno e, hoje, os esforços para a preservação e protecção dos lobos-marinhos são evidentes. A importância que assumem na manutenção de ecossistemas equilibrados e saudáveis faz com que estes esforços devam ser potenciados e acrescidos. Assistir à fruição destes animais do mar em que sempre viveram é um espectáculo dificilmente superável e, a não haver cuidado e empenho, insubstituível.

Ficha Técnica

  • Título: Portugal Selvagem
  • Tipo: Extrato de programa
  • Produção: Transglobe
  • Ano: 2009

Testa o teu conhecimento

“O primeiro registo da foca-monge data de...?”

  • 1500
  • 1450
  • 1419
  • 1400

“Outrora, onde é que esta espécie abundava?”

  • No Pacífico Sul
  • No Atlântico Norte
  • No Indico
  • Na Antártida

“Onde é que se situa o último refúgio da foca-monge?”

  • Nas Ilhas Desertas
  • Nas Ilhas Maurícias
  • Nas Ilhas Fiji
  • Nas Ilhas Baleares

“A esperança média de vida da foca-monge é de...?”

  • 20 a 30 anos
  • 50 a 60 anos
  • 30 a 40 anos
  • 15 a 25 anos

“Quantos exemplares da foca-monge se estima que ainda existam?”

  • 500
  • 400
  • 300
  • 1000

Resultado do teu conhecimento

  • És
Tenta melhorar as tuas respostas.
Repetir Quiz

A RTP utiliza cookies no seu sítio para lhe proporcionar uma experiência mais agradável e personalizada. Saiba mais aqui