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Fundação da cidade de São Paulo

Foi a 25 de janeiro de 1554 que um grupo de missionários jesuítas, chefiado pelo padre Manuel da Nóbrega, se fixou num planalto chamado então de Piratininga, onde fundou um colégio destinado à evangelização das populações ameríndias. Após a consagração do local, foi-lhe dado o nome de S. Paulo, por ser o dia dedicado ao apóstolo com esse nome.

A escolha do local, que fica a uns 50 km da costa, prendeu-se com as condições naturais da região e, sobretudo, com o bom acolhimento concedido pelos líderes locais à presença portuguesa e pela sua abertura à conversão ao catolicismo. É de destacar a influência exercida por João Ramalho, um português que ali vivia há várias décadas entre os índios Tupiniquins e que tinha casado com a filha de um dos chefes. Foi, portanto, uma fundação pacífica e consensual, que resultou da vontade dos missionários de desenvolverem o seu trabalho de forma autónoma e longe da influência das autoridades e dos colonos portugueses.

 

  • Qual era o interesse dessa região?

S. Paulo não foi o primeiro núcleo de colonização portuguesa naquela região. A vila de S. Vicente, no litoral, tinha sido fundada em 1532 como capital da capitania com o mesmo nome. Esta região constituía um dos diversos pilares da estratégia levada a cabo pelo rei D. João III para facilitar a ocupação da linha de costa e lançar as fundações da colónia brasileira. O seu clima era ameno, não havia floresta densa como noutras regiões do Brasil e o terreno era propício à agricultura e à criação de gado, que vieram a formar a base da economia da região.

O planalto paulista, como ficou conhecido, tinha ainda um interesse estratégico importante, uma vez que permitia aceder ao interior do continente. Nos meados do século XVI, quando a vila de S. Paulo foi fundada, as atenções dos portugueses estavam concentradas na exploração do litoral, mas a penetração e exploração do interior viria a colocar-se a curto prazo.

 

  • Que aconteceu depois da fundação da vila?

O pequeno núcleo fundado por Manuel da Nóbrega cresceu rapidamente e sofreu um impulso decisivo quando em 1560 foi ordenada a transferência dos habitantes do povoado de Santo André da Borda do Campo. Foi então elevada à categoria de vila e dotada de instituições próprias, como uma Câmara Municipal e uma Misericórdia. Dois anos mais tarde sofreu um primeiro ataque por parte de uma confederação rival dos Tupiniquins, que foi repelida e que assegurou o desenvolvimento do núcleo.

Ao longo dos séculos XVI e XVII, S. Paulo foi o grande eixo de penetração no interior, através das chamadas Bandeiras. Tratava-se de expedições de busca de metais preciosos e de captura de índios, que eram depois reduzidos à escravatura e utilizados como mão-de-obra nas plantações no litoral. Este vetor da economia paulista veio, aliás, a constituir o grande foco das permanentes tensões entre colonos e jesuítas, que se opunham à escravização dos índios. S. Paulo evoluiu como um dos grandes centros coloniais do Brasil e é hoje a cidade mais populosa de todo o continente americano.

Ouça aqui outros episódios do programa Dias da História

  • Temas: História
  • Ensino: 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Fundação da cidade de São Paulo
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2018
  • Fundação de São Paulo: Ócar Pereira da Silva

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