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Lorca, a morte de um poeta

Frederico Garcia Lorca, um dos poetas e dramaturgos espanhóis mais conhecidos, foi assassinado em agosto de 1936, por forças nacionalistas. Os seus restos mortais nunca foram localizados.

A Guardia Civil prendeu-o a 16 de agosto de 1936, na casa de um amigo nos arredores de Granada, cidade que adorava. Na madrugada do dia seguinte foi fuzilado por nacionalistas e enterrado em segredo na proximidade de uma estrada. O corpo nunca foi exumado.

Nascido numa família com posses, Lorca era acusado pelos nacionalistas de ser socialista, maçon e homossexual. Acusações graves a que se somava o também o epíteto de subversivo perigoso, pela forma como escrevia. Mesmo assim razões que levaram à sua morte continuam envolvidas em mistério, havendo mesmo quem defenda que se tratou de um ajuste de contas familiar.

Durante a sua  vida contactou com alguns dos grandes nomes do mundo artístico espanhol, nomeadamente o cineasta Luis Buñuel ou o pintor Salvador Dali, com os quais chegou a trabalhar.

Recordado é ainda hoje é um poema que deixou inacabado e onde fala da sua morte. Uma descrição demasiado premonitória:

Quando as formas puras se afundaram
sob o cri cri das margaridas,
compreendi que me tinham assassinado.
Foram aos cafés e aos cemitérios e às igrejas,
abriram os barris e os armários,
destruíram três esqueletos para arrancar os seus dentes de ouro.
Já não me encontraram.
Não me encontraram?
Não. Não me encontraram.
Mas soube-se que a sexta lua subiu torrente acima
e que o mar recordou – de imediato! – os nomes de todos os seus afogados.

Ficha Técnica

  • Título: A morte de Garcia Lorca
  • Tipo: Reportagem
  • Autoria: Inês Fonseca Santos
  • Produção: RTP
  • Ano: 2009

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