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Morte de D. José I e subida ao trono de D. Maria I

Foi em 24 de fevereiro de 1771 que morreu D. José I. Aos aos 62 anos, o rei o rei morreu, possivelmente, em consequência de um acidente vascular cerebral, que já tinha sofrido dois anos antes e que o tinha deixado em estado crítico: paralisia parcial, incapacidade de falar, convulsões, dificuldade em movimentar-se, alimentar-se e respirar.

Foi, portanto, uma morte esperada. Politicamente, foi uma morte desejada por muitos. No mesmo dia foi aclamada a princesa Maria Francisca como D. Maria I. Com a morte de D. José chegava ao fim o período de mais de duas décadas de governo e influência de Sebastião José de Carvalho e Melo, o poderoso conde de Oeiras e marquês de Pombal em cujas mãos o rei tinha deixado a condução dos destinos do reino.

 

  • Foi por isso que foi um morte politicamente desejada?

Sim. A governação severa e autoritária do marquês de Pombal tinha suscitado um enorme descontentamento, tanto entre o povo como, sobretudo, entre a alta nobreza do reino.

O processo dos Távoras, a expulsão da Companhia de Jesus ou as medidas económicas e políticas tinham-no tornado numa figura temida e odiada, até pela própria D. Maria I. Uma das primeiras medidas que tomou, depois de subir ao trono, foi a de decretar o afastamento do marquês da corte. Sebastião José de Carvalho e Melo, já velho e doente, retirou-se para a vila de Pombal, onde morreu pouco depois.

D. Maria tratou então de anular e de reverter uma série de medidas e decisões tomadas pelo seu pai, num processo que ficou conhecido como “a Viradeira”. A mais emblemática foi a reabilitação da família dos Távoras, que tinham sido acusados de atentado à vida do rei e executados, num processo de que a rainha sempre tinha discordado.

 

  • O reinado de D. Maria foi portanto um retrocesso?

É sempre ingrato e difícil classificar ou colocar rótulos simplistas em História, mas no caso de D. Maria é inegável constatar que o seu reinado foi marcado por uma inversão do rumo tomado pelo governo de Pombal.

Além da reabilitação dos Távoras, houve uma clara retomada da influência do clero nos assuntos do Estado. A rainha era, aliás, dotada de um enorme fervor religioso, razão pela qual ficou conhecida com o cognome de “a Piedosa”.

A política de criação de companhias monopolistas, típica do governo de Pombal, foi também abandonada e, nalguns casos, invertida. No entanto, os desafios do reinado de D. Maria eram naturalmente diferentes dos do reinado do seu pai; a Revolução Francesa e o profundo impacto que teve na Europa traçou um novo quadro político, com o qual Portugal viria a confrontar-se em breve.

Já não seria D. Maria, entretanto incapaz de governar devido à sua demência, mas o príncipe D. João, quem veio a assumir a condução dos destinos do reino e a responsabilidade de responder a estes desafios.

  • Temas: História
  • Ensino: 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Gabriel Malagrida Societatis Jesu, in Lusitania missionarius apostolicus
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Rainha D. Maria I: J. B. Gerard

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