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Museu Júlio Dinis - Uma casa ovarense

Numa casa típica de Ovar nasceram romances que se fizeram clássicos da literatura portuguesa. Júlio Dinis tinha 24 anos quando ali ficou para se restabelecer da turberculose. Gentes e costumes vareiros inspiraram o jovem médico do Porto.

A casa está como no verão de 1863, quando Joaquim Guilherme Gomes Coelho ali se instalou para passar uma curta temporada à beira-mar, por motivos de saúde. Por esta altura, o médico já escrevia contos, folhetins, peças de teatro e poesias românticas que assinava como Júlio Dinis. Habituado à vida do Porto, cidade onde nascera em 1839 e onde viria a morrer com 31 anos de idade, estranha primeiro os costumes da vila para depois se render à pacatez rural de Ovar.

Da única janela dianteira da casa, sentado à secretária, observava em detalhe os vareiros e procurava saber as histórias daquelas vidas: “Todos os dias, depois do jantar, me conservo meia hora pelo menos conversando com a santa gente em casa de quem estou hospedado, interrogando-as sobre costumes da terra, crenças e factos sucedidos;  mas, por enquanto, a colheita que fiz é escassa e duvido que por ela me seja mais tarde possível fazer obra.” Mas fez. O material recolhido inspirou episódios dos seus romances, como “As Pupilas do Senhor Reitor”, o primeiro que publicou, em 1866, depois do êxito em formato de folhetim. João Semana, Margarida e tantas outras personagens, começaram a ganhar forma na pequena casa dos Campos que, também pela arquitetura tradicional e popular,  está classificada como imóvel de interesse público a nível nacional.

 

Ficha Técnica

  • Título: Ler+ ler melhor - Museu Júlio Dinis
  • Tipo: Extrato de Magazine Cultural
  • Produção: Filbox produções
  • Ano: 2012

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