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O ataque holandês a Macau

Os holandeses tentaram tomar Macau a 22 junho de 1622, mas apesar da superioridade em homens e navios foram derrotados pela guarnição portuguesa. Não voltaram a tentar conquistar este reduto e foram obrigados a mudar a sua política expansionista no oriente.

O aparecimento de uma armada holandesa ao largo de Macau, no dia 21 de junho de 1622, confirmou os receios portugueses de que os inimigos holandeses tentariam, mais cedo ou mais tarde, apoderar-se da cidade. Era uma poderosa armada de 14 navios, a que se juntaram 2 embarcações inglesas, que tinha partido de Batávia, atual Jakarta, com esse objetivo. O primeiro desembarque teve lugar no dia 22 e destinou-se a fazer o reconhecimento do terreno.

O ataque direto ocorreu apenas no dia 24, com o bombardeamento dos baluartes de Macau e o desembarque de cerca de 800 soldados. Os defensores eram cerca de duas centenas, entre mosqueteiros, moradores da cidade e escravos. O momento decisivo ocorreu quando explodiram os barris de pólvora do campo dos invasores, quando estes marchavam em direção à cidade.

A desorganização e desorientação provocadas pelo incidente motivaram os portugueses à ofensiva, tendo desbaratado os holandeses nos combates que se seguiram. Os invasores recuaram e retiraram-se para os navios, deixando mais de uma centena de mortos.

 

  • Qual era o interesse dos holandeses em tomar Macau?

A viragem do século XVII assinalou a chegada das armadas holandeses à Ásia, passando a competir com os interesses e as rotas exploradas pelos portugueses em todo o Índico. Essa competição rapidamente se transformou em hostilidade e conflito aberto, com o assalto às armadas e fortalezas portuguesas.

A rota comercial mais rica e importante explorada pelos portugueses era a ligação entre Macau e Nagasaki, no Japão, que permitia lucros fabulosos e suscitava, naturalmente, o interesse e a cobiça holandesas.

A VOC, a poderosa companhia neerlandesa das Índias Orientais, estava solidamente instalada em diversos pontos do Índico, mas faltava-lhe uma posição que permitisse o acesso direto aos mercados chineses. Em 1619, o novo diretor geral da companhia, Jan Pieterzoon Coen, decidiu avançar com a decisão de conquistar Macau, que considerava fácil de tomar por a cidade não dispor de fortificações ou forças defensivas substanciais. O fracasso do ataque de junho de 1622 constituiu, portanto, uma derrota especialmente pesada.

 

  • Que consequências teve esta derrota?

O fracasso do assalto a Macau obrigou a VOC holandesa a alterar os seus planos de expansão naquela zona do Extremo Oriente. Os projetos de fixação na costa chinesa foram abandonados e os holandeses procuraram alternativas, acabando por se fixar no arquipélago das ilhas Pescadores e, mais tarde, em Taiwan. Macau não voltaria a ser atacada.

Do lado português, a vitória foi celebrada como um enorme feito de armas, tanto mais que o Estado da Índia sofreu uma importante perda nesse mesmo ano, com a queda de Ormuz, no Golfo Pérsico. Um dos efeitos mais importantes do ataque de 1622 foi a integração definitiva de Macau na rede oficial de fortalezas portuguesas.

Depois da retirada holandesa, o Senado da cidade aceitou a nomeação de um governador enviado por Goa, algo que sempre tinha recusado, o que revela a gravidade da ameaça holandesa para a sobrevivência de Macau.

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Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Ataque dos holandeses a Macau
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Imagem: Vista de Macau, de Jan Nieuhoff (1665)

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