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Ocupação das ilhas Malvinas pelos britânicos

Foi a 2 de janeiro de 1833 que o capitão John James Onslow, à frente de um contingente militar, desembarcou em Port Louis, no arquipélago das Malvinas, onde se encontrava o governador e a guarnição argentinas. Depois de substituir a bandeira argentina pela britânica, tomou formalmente posse das ilhas em nome de Sua Majestade.

O governador José Maria Pinedo, que dispunha apenas de duas dezenas de soldados, não opôs resistência e foi autorizado a partir para Buenos Aires. Esta data assinala formalmente a ocupação do arquipélago e a sua integração nos domínios da coroa britânica. A designação oficial passou a ser a de ilhas Falkland, embora o nome de Malvinas tenha continuado a ser utilizado nas outras línguas.

Foi o passo decisivo de um processo conflituoso que envolveu ingleses, franceses, espanhóis e argentinos, que tinham tentado anteriormente criar ali uma base de fixação permanente e reclamado a posse das ilhas.

 

  • Quem tinha direito à posse do arquipélago?

Os direitos sobre as ilhas Malvinas estavam, já nessa época, envolvidos em grande controvérsia. O arquipélago era desabitado e não há certezas sobre quem foram os primeiros a ali desembarcar.

O inglês John Strong, em 1690, é geralmente mencionado como o primeiro a deixar um registo escrito das ilhas, quando seguia a caminho do Peru. O capitão francês Antoine de Bougainville fundou Port Louis, em 1764, e o britânico John MacBride estabeleceu-se em Port Egmont, dois anos mais tarde.

As ilhas estavam sob a jurisdição do vice-reinado espanhol do Rio da Prata, mas apenas serviam como base de atividades pesqueiras, por parte de navios de várias nacionalidades. Depois de alcançar a independência, a Argentina reclamou o arquipélago como parte do seu território, em 1820.

As autoridades britânicas, contudo, não reconheciam estas pretensões e consideravam que as ilhas eram terra de ninguém, por não existir ali um povoamento permanente. Em 1833, decidiram retomar a sua presença, desta vez de forma oficial e permanente.

 

  • Que aconteceu depois?

A operação militar e a formalização da posse do arquipélago, em 1833, suscitou nova crise diplomática entre a Grã-Bretanha e a Argentina, mas não teve efeitos práticos. O governo de Londres decidiu iniciar a colonização das ilhas, com uma economia baseada na criação de gado e na indústria baleeira. Foi erguida uma nova cidade, Port Stanley, que passou a ser a capital.

As Malvinas, ou ilhas Falkland, desempenharam um papel de algum relevo durante a I e a II Guerra e facilitaram, entre outras operações, a exploração do continente antártico.

No entanto, a Argentina nunca reconheceu o domínio britânico e, em 1982, o regime militar de Buenos Aires ordenou a invasão e ocupação das ilhas. A reação imediata do Reino Unido conduziu à guerra entre os dois países, durante algumas semanas, que se saldou por uma vitória britânica e pela retomada do controle sobre as Malvinas.

Apesar da normalização das relações que se seguiu ao conflito, a Argentina continua a considerar o arquipélago como parte do seu território e a ocupação britânica como uma violação da sua soberania nacional.

  • Temas: História
  • Ensino: 2º Ciclo, 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Ocupação das ilhas Malvinas pelos britânicos
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Fotografia: Port Louis, primeiro forte britânico construído nas Malvinas. Autor. Conrad Martens

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