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Os portugueses e o ataque japonês a Timor

A 19 de fevereiro de 1942, os japoneses invadiram Timor, provocando o extermínio de cerca de dez por cento da população. Entre os colonos portugueses encontrava-se a família Miranda que teve de se refugiar nas montanhas durante este período que só terminaria após a rendição do Japão, mais de três anos depois.

Manuel Miranda recorda com saudade as memória de uma infância passada em Timor onde o pai tinha, antes da II Guerra Mundial, uma padaria. Quando os japoneses tomaram Dili, esconderam-se no mato, sobrevivendo a custo aos combates que se seguiram. O seu irmão Marcelino, de apenas onze anos, não teve a mesma sorte e foi abatido durante num dos tiroteios resultantes do ataque nipónico.

A Austrália tinha anteriormente destacado uma pequena força para proteger a ilha, mas esta revelou-se insuficiente perante os cerca de 1500 militares destacados pelo Japão. Por isso, os australianos fizeram recuar as suas tropas para as montanhas, onde viriam a estabelecer aí novas bases.

A situação de carência alimentar afectou aqueles que se tinham posto em fuga, até porque os japoneses continuaram a fazer incursões militares com vista a eliminar os focos de resistência. Muito refugiados, portugueses e timorenses, viriam a morrer, vítimas de fome e de sede. Entre eles, o pai desta família, Manuel Miranda.

A invasão de Timor pelos japoneses foi um dos episódios mais sangrentos vividos numa colónia portuguesa durante a guerra. Para além da violência dos ocupantes, estes instigaram grupos de indígenas a organizar-se para procurar e matar portugueses refugiados nas montanhas e nas florestas. Estes grupos ficariam conhecidos como as colunas negras.

Ficha Técnica

  • Título: Não Neutrais - A família Miranda
  • Tipo: Reportagem
  • Autoria: Ana Luísa Rodrigues/ Carla Quirino
  • Produção: RTP
  • Ano: 2019

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