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Os primeiros dias do Nobel Saramago

Era inevitável. A atribuição do prémio sueco transformou a vida de José Saramago. O escritor de 75 anos andava numa "roda-viva", a cumprir uma agenda carregada de entrevistas, discursos, conferências de imprensa. Ou a receber muitas outras distinções. Do anúncio do Nobel à cerimónia em Estocolmo, foram dias seguidos por flashes, microfones e câmaras de televisão. Mas a fama não o mudou em nada.

O êxito literário foi tardio na vida de Saramago, porque só tarde se viria a assumir como escritor a tempo inteiro. Depois de “Memorial do Convento”, em 1982, o nome do autor com apelido de planta silvestre, “alimento na cozinha dos pobres”, revelar-se-ia-a em toda a sua dimensão e originalidade. Em mãos tem uma linguagem nova, que o ajudará a construir narrativas singulares ao ritmo de um romance de dois em dois anos. Com obra sustentada em boas críticas, reconhecida à escala internacional, José torna-se um importante candidato ao Nobel. Porém, a Academia Sueca vai adiando esse dia, numa espera que parece eternizar-se.

A esperança é, pois, vaga nesse outono de 1998. Saramago desligara-se das especulações sobre os “nobelizáveis”. Regressava calmamente a casa, depois de visitar a Feira do Livro de Franfurt, quando fica a saber que é o primeiro escritor de língua portuguesa galardoado com o prémio maior da literatura. Em vez de embarcar no avião que o levaria a Madrid, José Saramago embarca num dos capítulos mais fantásticos da sua história. Mas o brilho do Nobel, que praticamente todos quiseram partilhar e saudar, que fez de Portugal um país cheio de orgulho, não mudou o homem que nasceu pobre na Azinhaga, vestiu o fato macaco de serralheiro mecânico, foi revisor, tradutor e jornalista.

Nesse outono de 1998, Saramago, Nobel da Literatura, prometia continuar igual a ele próprio. Apesar de estar “mais visível” para o mundo, o seu discurso, como logo se viu na reação ao Vaticano que não gostou que o prémio fosse para um comunista, manteve a frontalidade de sempre. São momentos que recuperamos nesta peça que faz um breve retrato dos dias do escritor após o anúncio da Real Academia Sueca.

Ficha Técnica

  • Título: José Saramago, Prémio Nobel da Literatura 1998
  • Tipo: Peça Telejornal
  • Produção: RTP
  • Ano: 1998

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