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Pepetela, um olhar sobre a sociedade angolana

Maior escritor de Angola, foi militante do MPLA na luta pela libertação e ministro da Educação. Abandonou a política para escrever a tempo inteiro e mostra-se crítico da sociedade angolana. Galardoado com o Prémio Camões pelo conjunto da sua obra em 1997.

Artur Pestana dos Santos nasceu em Benguela a 29 de Outubro de 1941. É descendente de uma família colonial portuguesa, mas os pais já nasceram em Angola. Partiu para o Lubango para continuar os estudos, tendo completado o ensino secundário no Liceu Diogo Cão. Em 1958 ruma a Lisboa para ingressar no curso de engenharia do Instituto Superior Técnico, mas só fica dois anos, e pede transferência para a Faculdade de Letras. Também por pouco tempo. Já nesta altura homem activo e de convicções, torna-se militante do MPLA, em 1963, e pouco depois vê-se obrigado a fugir de Lisboa, passando por Paris, até chegar a Argel. Ali conhece Henrique Abranches, com quem desenvolve atividade no Centro de Estudos Angolanos, na documentação da cultura e sociedade angolanas e também na propaganda das mensagens do MPLA. Foi nesta época, vivida na Argélia, que escreveu o primeiro romance – ‘Muana Puó’ -, onde usa as mascaras dos Côkwes como metáfora para examinar a situação de Angola. Em 1969, o Centro de Estudos Angolanos muda a sua localização para Brazzaville, na República do Congo, e Pepetela junta-se à luta armada contra os portugueses. A experiência serviu de inspiração para uma das suas obras mais reconhecidas, ‘Mayombe’, dada a conhecer ao público somente depois da independência.

A estreia nas publicações aconteceu em 1972 com ‘As Aventuras de Ngunga’. O livro demonstra o amor de Pepetela por Angola, mas também o desejo de analisar a história e cultura do país. Após a chegada da independência, em 1975, foi empossado vice-ministo da Educação, num mandato que dura sete anos. Por vontade própria, abandona a vida política em 1982 para se dedicar à escrita. Dois anos depois edita ‘Yaka’, obra ambiciosa que relata a vida de uma família colonial portuguesa, no século XIX. Em 1986 é agraciado com o Prémio Nacional de Literatura. A década de 1990 traz algumas mudanças na literatura de Pepetela. O escritor mantém o amor por Angola e o interesse em examinar a história do seu país, mas faz uso da ironia para criticar a sociedade e a elite angolana. Com o adensar da guerra civil de Angola passa mais tempo entre Lisboa e o Brasil,  o que lhe permite conhecer e dar-se a a conhecer ao mundo lusófono. Pepetela continua a fazer da escrita uma ferramenta de análise da sociedade contemporânea e na série de romances cujo herói é ‘Jaime Bunda’ usa a sátira para contestar a vida dos poderosos em Luanda. A par da escrita, Pepetela é docente de sociologia na Universidade Agostinho Neto.

Ficha Técnica

  • Título: Grandes Africanos
  • Tipo: Programa de Televisão
  • Autoria: Milene Matos Silva
  • Produção: Companhia de Ideias para a RTP
  • Ano: 2014

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