Pesquisar

Vasco da Gama chega à Índia

A 17 ou 18 de maio de 1498 - as fontes não são concordantes acerca do dia exato - a armada de Vasco da Gama avistou terra após 23 dias de viagem percorridos desde a última escala em Melinde.

Perceberam que estavam nas redondezas de Calecute e, dois dias depois, chegaram-se às naus várias embarcações da terra, que vinham perguntar quem eram os portugueses, de onde vinham e o que queriam. Foi nesta altura que Vasco da Gama mandou desembarcar um degredado. Foi recebido por dois muçulmanos do Magreb que falavam espanhol e a quem ele proferiu a célebre expressão “vimos buscar cristãos e especiaria”.

Os portugueses desembarcaram e foram conduzidos por terra até à cidade, num percurso ao longo do qual se juntou uma enorme multidão curiosa para ver os estrangeiros. Como descreve o relato anónimo da viagem, “a gente era tanta, que nos vinha a ver, que não tinha conto; e assim como as mulheres saíam das casas, com os filhos nos braços, assim se iam depois de nós”.

 

  • Houve contacto com o rei de Calecute?

Depois de alguns dias de espera, Vasco da Gama foi recebido em audiência pelo samorim. Durante cerca de três meses, os portugueses estabeleceram contactos diplomáticos, recolheram informações sobre a terra, a Índia e o seu comércio.

Vasco da Gama apercebeu-se das reticências do rei e da hostilidade das comunidades de mercadores muçulmanos que olhavam para os estrangeiros com suspeita e apreensão.

Uma das características mais importantes desta viagem foi a quantidade de equívocos que se criaram: os portugueses estavam convencidos de que a população e o rei eram cristão e não compreendiam a razão por que o comércio das especiarias estava nas mãos dos muçulmanos.

Além disso, as mercadorias que os portugueses traziam eram completamente inadequadas ao comércio local: mantas, chapéus, bacias de metal, mel ou azeite. Vasco da Gama ofereceu-os ao samorim e foi publicamente humilhado e alvo da chacota por parte dos dignitários da corte e dos mercadores da terra.

 

  • Que balanço se pode fazer da viagem?

A armada de Vasco da Gama partiu de Calecute a 29 de agosto e chegou a Lisboa exatamente um ano depois, depois de várias escalas. Foi recebido em triunfo com festejos públicos e com grande satisfação do rei D. Manuel, que lhe concedeu o título de Conde da Vidigueira.

A viagem foi um sucesso político evidente, porque comprovou a viabilidade do projeto de D. João II e de D. Manuel e inaugurou a ligação marítima direta entre a Europa e a Ásia.

Há que relembrar que várias figuras na corte tinham encarado a viagem com ceticismo e que o conselho do rei tinha votado contra a sua realização. Porém, a carga de pimenta trazida pela armada era modesta e as dúvidas, equívocos e percalços da estadia em Calecute ensombravam o sucesso da viagem.

A armada seguinte, de Pedro Álvares Cabral, composta por 13 navios e devidamente apetrechada de meios bélicos, logísticos e diplomáticos, constituiu a resposta adequada aos desafios que se tinham colocado a Vasco da Gama.

Ouça aqui outros episódios do programa Dias da História

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Vasco da Gama chega à Índia
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Imagem: Vasco da Gama perante o Samorim de Calecute. Veloso Salgado

A RTP utiliza cookies no seu sítio para lhe proporcionar uma experiência mais agradável e personalizada. Saiba mais aqui