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Volta ao mundo em 72 dias por Nellie Bly

Na manhã de 14 de novembro de 1889, Nellie Bly, pseudónimo literário da jornalista Elizabeth Cochran Seaman, embarcou no vapor Augusta Victoria, no porto de Nova Iorque, com destino a Londres. Era a primeira etapa de uma viagem à volta do mundo que a levou a passar por França, Itália, Egito, Iémen, Sri Lanka, Singapura, Hong Kong, S. Francisco e finalmente Nova Iorque.

A sua viagem demorou 72 dias, 6 horas e 11 minutos, um record mundial na época. A iniciativa partiu da própria Nellie Bly, que propôs ao editor do jornal New York World reproduzir na realidade o tema do célebre romance Volta ao Mundo em 80 Dias, de Júlio Verne, que teve ocasião de conhecer pessoalmente na sua passagem por França.

Tal como no romance, a viagem foi feita usando uma multiplicidade de transportes, desde vapor, comboio, riquexó, até embarcações várias e o dorso de burro e de cavalo. Nellie foi reportando ao jornal, pelo telégrafo, cada passo da sua experiência e, posteriormente, registou a odisseia em livro.

 

  • Quem era Nellie Bly?

Elizabeth Cochran Seaman nasceu na Pensilvânia, em 1864, numa família de origem irlandesa, e desde cedo sentiu inclinação para a escrita e para o jornalismo. A sua primeira peça foi publicada aos 18 anos, num jornal de Pittsburgh, como resposta a um cronista que havia escrito um texto de teor claramente sexista no qual limitava o papel das mulheres às tarefas domésticas e afirmava que uma mulher trabalhadora era uma “monstruosidade”.

Foi o primeiro passo de uma carreira bem-sucedida como cronista e jornalista que a levaria mais tarde a Nova Iorque. O casamento, aos 31 anos, fê-la dedicar-se ao negócio do marido, a construção de contentores de aço, sobre a qual registou e desenvolveu várias patentes. Mais tarde regressou ao jornalismo, tendo feito a cobertura da frente oriental na I Guerra Mundial e a luta das sufragistas. Morreu em 1922, de pneumonia.

Ficou célebre pela sua volta ao mundo em 72 dias, mas o seu trabalho mais importante foi uma investigação, ousada para a época, acerca das condições de um hospital psiquiátrico feminino de Nova Iorque.

 

  • O que foi?

Em 1887, Nellie aceitou fazer uma investigação sob disfarce para o jornal New York World. O objetivo era averiguar as denúncias de brutalidade sobre as doentes do hospital psiquiátrico de Blackwell’s Island. Para o efeito, Nellie simulou uma situação que a levou a ser examinada por vários médicos. Estes foram unânimes em declará-la louca e internaram-na compulsivamente. Tomou, portanto, contacto direto com as condições deploráveis do hospital e com todo o tipo de violências e abusos que as doentes sofriam às mãos do pessoal médico e de enfermagem.

Após ter sido resgatada pelo jornal, denunciou a situação num livro chamado “10 dias num Manicómio”, que causou sensação e levou as autoridades a investigar o caso e a recomendar um aumento urgente do financiamento dos hospitais psiquiátricos.

Nellie Bly escreveu igualmente sobre as condições de trabalho das mulheres nas fábricas e publicou ainda crónicas de viagem. Os seus trabalhos são hoje considerados como pioneiros no campo do jornalismo de investigação.

Ouça aqui outros episódios do programa Dias da História

  • Temas: História
  • Ensino: 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Início da volta ao mundo em 72 dias por Nellie Bly
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Fotogrfia : Nellie Bly

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