De acordo com a programação da CNB, a iniciativa intitula-se “As Horas de Sophia” e vai acontecer em sete sessões ao longo deste ano, para celebrar a obra poética da escritora, cuja trasladação para o Panteão Nacional foi aprovada no parlamento na quinta-feira.
Por passarem, em 2014, dez anos sobre a morte da autora de “Coral” e “A menina do mar”, a direção artística da CNB decidiu associar o repertório deste ano à obra poética de Sophia de Mello Breyner (1919-2004), e vai também promover conferências sob a sua égide.
Quando a programação da CNB foi anunciada, em outubro de 2013, a diretora artística, Luísa Taveira, tinha referido que reparou na “grande ligação da poetisa à dança”.
Por essa razão, o mito de Orfeu, um dos favoritos da escritora, vai estar presente logo na primeira estreia de um novo espetáculo da CNB, a 27 de fevereiro, assinado por Olga Roriz.
A iniciativa “As Horas de Sophia” consiste numa sessão de sessenta minutos dedicados aos poemas da escritora, marcada para antes de um dos espetáculos de cada programa da temporada.
Para estas sessões, o público é convidado a participar, se for esse o seu desejo, lendo poemas que queira trazer, tendo para isso de fazer uma inscrição prévia.
A CNB apenas pede que os poemas escolhidos tenham temas relativos a cada uma das produções da companhia ou, genericamente, ao tema da dança.
As sessões vão acontecer sempre a uma sexta-feira, das 19:30 às 20:30, no “foyer” do Teatro Camões, nos meses de fevereiro, março, maio, junho, outubro, novembro, dezembro.
No sábado, está também prevista a realização de uma conferência sobre “O Mito de Orfeu”, com a participação da coreógrafa Olga Roriz, José Pedro Serra, professor catedrático do Departamento de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e de Nuno Carinhas, diretor artístico do Teatro Nacional de São João, no Porto, autor dos cenários e figurinos da nova produção.
Nascida no Porto, Sophia de Mello Breyner Andresen, de origem dinamarquesa pelo lado paterno, foi a segunda mulher a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999.
A escritora foi cofundadora da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, durante a ditadura, e, após o 25 de Abril, foi eleita deputada à Assembleia Constituinte.
Agência Lusa

