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Nas suas 13 cláusulas constavam obrigações de socorro mútuo, em caso de ataque inimigo, auxílio militar e apoio diplomático e, também, uma declaração de livre circulação de pessoas e bens entre os territórios das duas coroas.

O sucesso das negociações e a assinatura formal do tratado permitiu desencadear os preparativos para o ato destinado a selar o acordo, e que foi o casamento do rei de Portugal com D. Filipa, filha do Duque de Lencastre, o que veio a ocorrer a 11 de fevereiro de 1387.

  • Qual o interesse das partes em formalizar um acordo?

Havia algum tempo que se verificava um alinhamento dos interesses entre Portugal e a Inglaterra. Aliás, e ao contrário do que muitas vezes se pensa, este não foi o primeiro tratado assinado entre as duas partes. Já anteriormente, em 1373, D. Fernando e Eduardo III o tinham feito.

O Tratado de Windsor foi apenas uma confirmação e uma renovação dos termos desse outro tratado, uma vez que havia novas condições políticas que o aconselhavam.

Da parte portuguesa,  após a vitória na Batalha de Aljubarrota, era importante confirmar o apoio externo que levasse ao reconhecimento do novo rei e da nova dinastia de Avis. Relembre-se que Castela não o fez imediatamente e só assinou a paz com Portugal mais de 20 anos depois, em 1411.

Do lado inglês, havia todo o interesse em apoiar D. João I, sobretudo porque o Duque de Lencastre era pretendente ao trono castelhano. Logo após a assinatura do Tratado, os ingleses prepararam um exército que desembarcou na Corunha, com apoio português, para reclamar a coroa de Castela, numa iniciativa que veio a fracassar.

  • Trata-se mesmo da mais velha aliança do mundo?

O Tratado de Windsor é geralmente considerado o mais antigo tratado diplomático ainda em vigor. Formalmente, é correto, uma vez que foi várias vezes confirmado ao longo da História e nunca foi denunciado por nenhuma das partes.

Os dois países celebraram diversos acordos nos séculos seguintes e nunca estiveram formalmente em guerra. O casamento de Catarina de Bragança com Carlos II, em 1662, o Tratado de Methuen, de 1703 – que celebrou um acordo comercial entre os dois reinos  – ou, ainda, a aliança luso-britânica na Guerra Peninsular, no século XIX, foram momentos em que se verificou um alinhamento dos respetivos interesses, mas houve igualmente momentos de tensão e de hostilidade declarada, como aconteceu durante o período filipino.

A invocação mais recente da aliança ocorreu em 1943, quando o Primeiro-Ministro britânico Winston Churchill se dirigiu à Câmara dos Comuns e anunciou que Portugal aceitara o pedido do Reino Unido para utilizar os Açores como base para a guerra contra a Alemanha.

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