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O fuzilamento dos Romanov, a família real da Rússia

O agravamento da guerra civil na Rússia terá sido o principal motivo para a execução do czar Nicolau II e de toda a sua família, na Rússia, em 1918. Os bolcheviques queimaram depois os corpos e enterraram os restos em diversos locais.

Na noite de 17 para 18 de julho de 1918, o ex-Czar Nicolau II e a restante família Romanov, a família imperial russa, receberam ordens para descer à cave da casa onde se encontravam prisioneiros, sob pretexto de preparar o seu transporte para um local mais seguro. Em vez disso, depararam com um pelotão de execução, cujo comandante leu a seguinte ordem: “Nicolai Alexandrovich, devido ao facto de os teus familiares continuarem a atacar a Rússia Soviética, o Comité Executivo dos Urais decidiu levar a cabo a tua execução”.

Os guardas ergueram então as armas e dispararam sobre a figura de Nicolau e sobre a restante família, isto é, a czarina Alexandra e os cinco filhos. Devido ao barulho e ao fumo causado pelos disparos, o massacre foi completado com o uso de baionetas. Os corpos foram posteriormente transportados para uma região remota, separados e queimados para evitar a sua identificação, e finalmente enterrados em vários locais.

 

  • Qual a justificação para as execuções sumárias, sem julgamento?

A família imperial vivia numa situação precária desde a abdicação do Czar em março do ano anterior. Depois da tomada do poder pelos bolcheviques, em novembro, as condições do seu cativeiro eram cada vez mais severas. O caos social em que vivia a Rússia e o agravamento da guerra civil entre o novo poder bolchevique e as forças que lutavam pela restauração da monarquia acabou por selar o destino trágico de Nicolau II.

Se o Czar fosse resgatado pelas forças que lhe eram leais, poderia liderar a contra-revolução e alterar o rumo da guerra civil. Por outro lado, qualquer membro da família real poderia assumir-se como legítimo herdeiro da coroa e prosseguir a luta contra o novo poder bolchevique. Havia, portanto, uma lógica implacável da guerra e da luta política que conduziu à decisão de executar a família imperial e de fazer desaparecer todos os vestígios da sua existência. Como é natural, estas questões continuam a ser motivo de discussão e de polémica entre os historiadores.

 

  • Qual foi o efeito do desaparecimento da família real?

As execuções tiveram lugar em Yekaterinburg, a mais de 1000 quilómetros de Moscovo, onde os Romanov estiveram prisioneiros durante alguns meses. A responsabilidade da ordem para o massacre é incerta, não se sabendo com clareza se a decisão final partiu das autoridades regionais, da polícia secreta ou do próprio Lenine.

Seja como for, a execução do czar foi divulgada de imediato, mas o destino da restante família foi mantido em segredo, dando origem a inúmeras especulações. Houve boatos de que vários filhos do Czar tinham sobrevivido e surgiram diversos impostores a reivindicar essa identidade, principalmente da princesa Anastásia e do príncipe Alexei.

Só em 1989 é que foi divulgada a descoberta dos restos mortais dos Romanov, que foram trasladados para a Catedral de S. Pedro e S. Paulo, em S. Petersburgo, em 1998. Pouco depois, a Igreja Ortodoxa Russa anunciou a canonização da família imperial, mas este assunto permanece um tema muito sensível e controverso no seio da sociedade russa.

Ouça aqui outros episódios do programa Dias da História

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - a execução do Czar Nicolau II e da família Romanov
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Fotografia: A família Romanov, 1914. Library of Congress, EUA.

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