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A Guerra da Crimeia

As intenções expansionistas do império russo a meio do século XIX levaram primeiro o sultão otomano a declarar-lhe guerra - a 16 de outubro de 1853 - e depois países como a Inglaterra e a França a fazer o mesmo. A guerra prolongou-se por cerca de 3 anos.

A Guerra da Crimeia é o nome geralmente dado ao conflito que opôs o império russo a uma aliança formada pelo Império Otomano, o Reino Unido, a França e o reino da Sardenha, e que se prolongou até 1856.

A 16 de outubro de 1853 não se registou qualquer confronto, mas apenas a declaração de guerra do sultão otomano. Em março do ano seguinte a França e o Reino Unido fizeram o mesmo.

Apesar da designação de Guerra da Crimeia, o conflito decorreu em diversos cenários, não apenas em ambas as margens do Mar Negro mas também nos Balcãs, no Báltico e no Pacífico, envolvendo um elevado número de forças militares e navais de ambos os lados, calculando-se que tenham lutado 900 mil soldados pelo império russo e cerca de 600 mil pela aliança adversária.

O número de baixas foi muito elevado, na ordem das centenas de milhar, causadas, sobretudo, por doenças como a cólera. Foi uma guerra intermitente, marcada por campanhas militares intercaladas por contactos diplomáticos e negociações para alcançar a paz.

 

  • Quais foram as causas dessa guerra?

A Guerra da Crimeia foi motivada pelas ambições expansionistas do Império Russo perante o declínio e o gradual enfraquecimento do Império Otomano ao longo da primeira metade do século XIX. Os receios da França e da Grã-Bretanha de que um excessivo fortalecimento da Rússia danificasse os frágeis equilíbrios de poder na região acabaram por levar ambos os países a apoiar os otomanos e a entrar em guerra com a Rússia.

Havia igualmente questões de prestígio em jogo, nomeadamente por parte do imperador francês Napoleão III, que ambicionava elevar o seu estatuto internacional. As causas próximas da guerra envolveram os cristãos na Terra Santa, que estava então sob administração otomana.

O czar exigiu direitos de proteção sobre os cristãos ortodoxos, enquanto a França se reclamava como protetora dos católicos. Eram, evidentemente, meros pretextos para o jogo diplomático na arena internacional, que rapidamente degeneraram numa escalada de guerra com graves consequências.

 

  • Qual foi o desfecho?

A Guerra da Crimeia saldou-se por uma derrota da Rússia, que foi obrigada a desistir dos seus projetos de expansão nos Balcãs, a recuar na Crimeia e a respeitar a integridade do Império Otomano.

O Mar Negro foi declarado zona neutral, aberta à marinha de todas as nações mas interdita a navios de guerra. Foi a derrota russa na batalha de Sebastopol, em 1855, que precipitou o acordo de paz assinado em Paris em março do ano seguinte. No entanto, a própria opinião pública britânica e francesa pressionava os respetivos governos a fazer a paz, uma vez que o conflito lhe parecia inútil e causador de enorme sofrimento desnecessário.

Pode-se dizer que a Guerra da Crimeia foi o primeiro conflito da Era Industrial, a primeira guerra a ser fotografada e onde o telégrafo e o caminho-de-ferro tiveram larga utilização. Assistiu igualmente à inauguração de táticas militares que mais tarde se vieram a generalizar, como as trincheiras e o fogo de barragem da artilharia.

Ouça aqui outros episódios do programa Dias da História

  • Temas: História
  • Ensino: 2º Ciclo, 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Início da Guerra da Crimeia
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Cerco de Sebastopol: Adolphe Yvon

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