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A morte de D. João II

De príncipe perfeito a precursor do absolutismo. A maior parte dos historiadores concorda que foi o grande responsável pela planificação e organização do processo que levaria os portugueses ao Índico.

No final da tarde de 25 de outubro de 1495, um domingo, faleceu na vila do Alvor o rei D. João II e as causas da sua morte são, desde há muito, motivo de especulação entre os historiadores e os seus biógrafos.

A hipótese mais provável aponta uma doença renal crónica, mas há quem defenda possibilidade de envenenamento, talvez por arsénico, levado a cabo pelos seus inimigos ou, quem sabe, pela própria rainha D. Leonor.

De facto, D. João II morreu quase só, apenas acompanhado por um punhado de homens do seu conselho. Nem a rainha, o filho D. Jorge ou o seu primo e sucessor, o duque de Beja e futuro D. Manuel I, estavam presentes. A última fase da sua vida foi marcada, para além do agravamento do estado de saúde que o conduziu às caldas de Monchique, por uma crescente tensão que envolvia a sucessão ao trono. Durante algum tempo esteve, de facto, pendente sobre o reino o espectro de uma crise dinástica e de uma guerra civil.

 

  • Quais eram as causas dessa crise?

Em 1491, um acidente infeliz vitimou o príncipe D. Afonso. A morte do infante, então com 16 anos, foi um acontecimento inesperado que abalou profundamente o rei. Por um lado, deitava por terra o seu sonho político: D. Afonso era casado com Isabel, filha dos Reis Católicos, e todos esperavam que daqui viesse a resultar um herdeiro que unisse os três reinos peninsulares.

Em segundo lugar, colocava o problema da sucessão da coroa. D. Afonso era o único filho legítimo de D. João II e a sua morte colocava na linha de sucessão o duque de Beja, irmão da rainha, que contava naturalmente com o apoio desta e da grande nobreza do reino. O monarca tinha outro filho, ilegítimo, D. Jorge, que tentou por todos os meios legitimar e apresentar como sucessor.

O choque entre os dois partidos fazia, portanto, emergir o perigo de uma guerra civil após a morte de D. João II.Este, finalmente, desistiu das suas pretensões e, poucas semanas antes de falecer, redigiu o seu testamento onde reconheceu o Duque de Beja, D. Manuel, como o legítimo sucessor e futuro rei

 

  • Que balanço se pode fazer do seu reinado?

Os historiadores avaliaram o reinado de D. João II de modos diferentes, ao longo dos tempos. Nos séculos seguintes foi chamado de “Príncipe Perfeito”, por lhe reconhecerem as qualidades necessárias de um rei-modelo.

No século XIX, D. João II passou a ser olhado com desconfiança, porque as suas medidas de centralização do poder e de repressão da nobreza foram vistas como o prenúncio do absolutismo que veio a desenvolver-se mais tarde. Hoje, D. João II é sobretudo encarado como o rei inteligente, hábil e perspicaz que vislumbrou, delineou e preparou um projeto de expansão ultramarina que haveria de levar os portugueses à Índia, já depois da sua morte.

As suas capacidades diplomáticas e a forma como conseguiu resolver as crises e os conflitos com os poderosos vizinhos de Castela e Aragão demonstram que se tratou de um personagem excecional, que deixou uma marca indelével na História de Portugal e cujas ações tiveram repercussão à escala europeia e, a longo prazo, mundial.

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Morte de D. João II
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Retrato de d. João II: Autor desconhecido

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