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Fernando Pessoa: poeta e escritor por vocação

Dactilografou Pessoa, pela sua própria mão, aos 46 anos: "Profissão: A designação mais própria será 'tradutor', a mais exata a de 'correspondente estrangeiro em casas comerciais'. O ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação."

Da mesma forma, escrevia, em 1935:
Obras que tem publicado: A obra está essencialmente dispersa, por enquanto, por várias revistas e publicações ocasionais. O que, de livros ou folhetos, considera como válido, é o seguinte: «35 Sonnets» (em inglês), 1918; «English Poems I-II» e «English Poems III» (em inglês também), 1922, e o livro «Mensagem», 1934, premiado pelo Secretariado de Propaganda Nacional, na categoria «Poema». O folheto «O Interregno», publicado em 1928, e constituído por uma defesa da Ditadura Militar em Portugal, deve ser considerado como não existente. Há que rever tudo isso e talvez que repudiar muito.”

Escritor universal e impossível de catalogar ou definir, até pela multiplicidade de heterónimos, Fernando Pessoa legou-nos das mais relevantes obras de literatura, sem que se possa esquecer a importância da Língua Inglesa nessa produção: Harold Bloom, crítico literário, considerou Pessoa como “Whitman renascido” e incluiu-o entre os melhores 26 escritores da civilização ocidental. Robert Hass, poeta americano, diz dele : “outros modernistas como Yeats, Pound, Elliot, inventaram máscaras pelas quais falavam ocasionalmente… Pessoa inventava poetas inteiros.” 

Através dos heterónimos, que compõem uma lista extensa, Fernando Pessoa conduziu uma profunda reflexão sobre a relação entre verdade, existência e identidade. Uma obra que coube numa vida, mas que passa largamente o que, factualmente, essa vida poderá ter contido.

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; escrito entre 1913-15; publicado em Atena nº 5 de Fevereiro de 1925.

De que falam as pessoas quando falam de Pessoa?

Teresa Rita Lopes dá-nos a sua visão de Pessoa, depois de anos de academia e estudo intensivo da obra do autor. Confira aqui, no programa “As Biografias do Século XX”, de Fernando Rosas.

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