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Mão-de-obra barata e carne de canhão

Ainda antes de chegarem tropas à frente de batalha já havia portugueses a colaborar no esforço de guerra ao lado dos aliados, pois estes cedo pediram a cedência de operários qualificados e serventes para a indústria e os caminhos de ferro. Foram também solicitados artilheiros.

A Inglaterra e a França davam pouco valor à participação militar dos portugueses na frente de guerra e nos pedidos que enviavam para Lisboa mostravam mais urgência na obtenção de braços para o trabalho.

Três meses depois da declaração de guerra, o Governo francês pediu ao chefe da missão portuguesa em Paris, João Chagas, que enviasse para França 15 a 20 mil operários não qualificados para trabalharem na indústria de guerra. Esta solicitação tinha por objetivo aumentar a produção de munições, nomeadamente, obuses de grandes calibres que se pretendiam multiplicar de 700 para os 50 mil por dia.

A falta de mão de obra levou à mobilização em larga escala das mulheres e até operários que se encontravam nas trincheiras foram chamados de volta à retaguarda para fabricar munições. Rapidamente o número de pessoas a trabalhar na indústria de guerra salta de 50 mil para mais de um milhão e meio.

Os 20 mil operários pedidos a João Chagas são, na França, uma gota de água no oceano. Ao mesmo tempo, o Governo francês mostra-se preocupado em manter longe das fábricas de munições qualquer factor de agitação. Ao selecionar os trabalhadores, os políticos franceses e portugueses planeavam deixar fora os que não se adequavam ao trabalho pretendido e excluir também aqueles considerados indisciplinados ou reivindicativos.

Meses depois, o Governo francês pediu 4 mil soldados da arma de Artilharia, “para servirem no exército francês”. Estamos em 17 de Dezembro, o CEP ainda não está em França. O Governo de Lisboa não vê inconveniente em que estes soldados vão à frente dos outros e fiquem sob ordens de oficiais franceses.

Em Março, o CEP chegou a França há dois meses, e está integrado num sector da frente inglesa. Os ingleses pedem agora 4 mil operários para construir linhas de comboio. O ministro da Guerra, general Norton de Matos, recomenda que, sob certas condições, seja aceite o pedido. Portugal não é visto como aliado de parte inteira. É um fornecedor de mão-de-obra barata.

Veja este Postal da Grande Guerra na íntegra AQUI.

Ficha Técnica

  • Título: Postal da Grande Guerra - Mão-de-obra barata e carne de canhão
  • Tipo: Programa
  • Autoria: António Louçã
  • Produção: RTP
  • Ano: 2016

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