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O mito de Édipo em lã, fio de ouro e seda

A mais perfeita de todas as tragédias gregas é caso raro, se não mesmo único, na história das tapeçarias flamengas. A lenda do Rei Édipo, o filho que mata o pai, desposa a mãe e arranca os próprios olhos foi tecida pelos melhores artesãos do século XVI.

As tapeçarias da Flandres, famosas pela qualidade dos materiais e pela execução cuidadosa, eram muito procuradas pelos portugueses mais abastados. Só eles tinham o privilégio de poder adquirir tão nobres peças, que tanto tinham de valiosas como de vulneráveis e que serviam para decorar e aquecer palácios reais e casas fidalgas. Episódios de celebração nacional, como as Descobertas, eram os temas que mais inspiravam os pedidos, fazendo destes panos, autênticos documentos históricos com valor artístico acrescentado.

Muitas destas tapeçarias foram perdidas no tempo, em viagens, batalhas ou em grandes calamidades como o terramoto de 1755. As peças que tratamos aqui, expostas no museu de Lamego, estiveram desaparecidas durante décadas e só muito mais tarde foram restauradas.

São quatro tapeçarias produzidas em Bruxelas, na oficina de Pieter van Aelst, por volta de 1530, que contam de uma forma sumptuosa os episódios mais marcantes de uma história com 2500 anos, chegada diretamente da Antiguidade clássica: a história trágica de Édipo, do seu nascimento ao castigo final.

Os panos terão sido encomendados pelo bispo português de Lamego para a residência episcopal.  Não é no entanto claro o motivo que levou D. Fernando de Vasconcelos a escolher um tema tão pouco religioso como o incesto, muito embora este mito da Grécia Antiga venha avisar os homens de que o destino está sempre nas mãos dos deuses e que nem mesmo os mais poderosos escapam às profecias do Oráculo.

A tragédia escrita por Sófocles em 427 a.C., tem sido objeto constante de leituras, interpretações e inúmeras versões para teatro, ópera e cinema. No final do século XIX, a lenda serve de base a uma das mais importantes teorias da psicologia moderna formulada por Sigmund Freud: o Complexo de Édipo defende que a construção do “eu”, da nossa identidade, passa por sentimentos e manifestações contraditórios de amor e hostilidade como a rejeição do pai e a inclinação pela mãe.

Visitamos agora a história de Édipo, o rei trágico de Tebas, em 4 atos guiados pela jornalista Paula Moura Pinheiro e  pela historiadora de arte Ana Paula Rebelo Correia.

 

 

Ficha Técnica

  • Título: Visita Guiada - Museu de Lamego
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paula Moura Pinheiro
  • Produção: RTP2
  • Ano: 2014

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