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A queda do último imperador Roma

Foi a 4 de setembro do ano 476 que um chefe militar de nome Odoacro, à frente de uma coligação de forças militares de origem germânica, forçou o imperador romano a abdicar do trono e assumiu pessoalmente o poder, não como imperador de Roma mas como rei de Itália.

Rómulo Augústulo, o imperador deposto, tinha apenas 16 anos e havia governado durante menos de um ano e em condições muito precárias, uma vez que foi colocado no trono pelo pai, um chefe militar que tinha igualmente usurpado o poder. Rómulo Augústulo foi o último imperador de Roma.

A sua deposição é tradicionalmente considerada como o fim do Império Romano e da Antiguidade e o início da Idade Média, mas na verdade parece não ter causado qualquer impacto ou suscitado qualquer reação. O poder real há muito que estava nas mãos dos chefes militares e dos líderes germânicos e o título de imperador era pouco mais do que uma posição honorífica, cuja autoridade era muito reduzida.

 

  • Pode-se falar na queda do Império Romano?

A expressão “queda do império romano” é muito utilizada como forma, até certo ponto dramática, para marcar o fim da Antiguidade e, em particular, a deposição de Rómulo Augústulo que teve lugar nesta data. Na verdade, o processo de declínio do império foi lento e arrastou-se por um longo período. Desde o século III que permanentes crises políticas, económicas e militares, em conjunto com a entrada de tribos germânicas, tinham enfraquecido e dividido o império.

No ano 395, o imperador Teodósio dividiu o império em duas metades, que entregou aos seus dois filhos e que nunca voltariam a reunir-se. A parte ocidental passou a ter a capital em Ravena e a oriental, em Constantinopla, ou seja, em Bizâncio.

A Europa ocidental dividiu-se em pequenos reinos, que lutavam entre si. Os domínios do império ficaram reduzidos à Península Itálica e os imperadores eram meras figuras simbólicas, porque o poder real estava nas mãos dos generais romanos e dos chefes bárbaros.

 

  • A deposição teve consequências?

A abdicação de Rómulo Augústulo e o fim dos imperadores romanos do Ocidente teve um efeito importante, mas apenas ao nível ideológico. Odoacro obteve o apoio do senado romano para a consolidação do seu poder e declarou-se vassalo do Império Romano do Oriente, ou seja, de Constantinopla, para onde enviou as insígnias do imperador deposto. Isto significava que a dignidade e o prestígio do império Romano não desapareceram, mas estavam agora nas mãos dos imperadores de Bizâncio, e assim se mantiveram durante toda a Idade Média.

Pouco se sabe do que aconteceu ao jovem imperador deposto. Parece certo que a sua vida foi poupada e que Odoacro limitou-se a exilá-lo para a região de Nápoles, o que prova que não constituía qualquer ameaça para o novo poder político na Itália.

Ouça aqui outros episódios do programa Dias da História

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - A deposição de Rómulo Augústulo, último imperador de Roma
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Imagem: The course of Empire - Destruction, Thomas Cole

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