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A casa está como no verão de 1863, quando Joaquim Guilherme Gomes Coelho ali se instalou para passar uma curta temporada à beira-mar, por motivos de saúde. Por esta altura, o médico já escrevia contos, folhetins, peças de teatro e poesias românticas que assinava como Júlio Dinis. Habituado à vida do Porto, cidade onde nascera em 1839 e onde viria a morrer com 31 anos de idade, estranha primeiro os costumes da vila para depois se render à pacatez rural de Ovar.

Da única janela dianteira da casa, sentado à secretária, observava em detalhe os vareiros e procurava saber as histórias daquelas vidas: “Todos os dias, depois do jantar, me conservo meia hora pelo menos conversando com a santa gente em casa de quem estou hospedado, interrogando-as sobre costumes da terra, crenças e factos sucedidos;  mas, por enquanto, a colheita que fiz é escassa e duvido que por ela me seja mais tarde possível fazer obra.” Mas fez. O material recolhido inspirou episódios dos seus romances, como “As Pupilas do Senhor Reitor”, o primeiro que publicou, em 1866, depois do êxito em formato de folhetim. João Semana, Margarida e tantas outras personagens, começaram a ganhar forma na pequena casa dos Campos que, também pela arquitetura tradicional e popular,  está classificada como imóvel de interesse público a nível nacional.

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