Ana Luísa Amaral, poesia atenta ao Mundo

Logo nos primeiros tempos incertos da pandemia ficou sem escrever, imersa nas notícias do vírus que a tudo se impunham e todos dominavam. Depois, recomeçou a inquietação, o desassossego, a convocarem Ana Luísa Amaral para a escrita. Bastou ficar atenta à natureza que avistava da varanda na casa de Leça da Palmeira para a poesia tomar conta dos tristes "dias tão magros", como descreve nos versos do penúltimo livro. Nas páginas deste "Mundo" cabem todos os mundos visíveis e invisíveis que o seu olhar alcança, mais as questões que a preocupam. Como a desigualdade, a discriminação, os ódios e extremismos. Porque, para esta poeta, tudo pode ser poesia.

Ana Luísa Amaral escreve porque precisa de o fazer. Uma necessidade das mãos e do corpo que traduz em palavras, sem a consciência de um pensamento definido a orientá-la no gosto ou na escolha. Assume a dimensão do mistério, como uma coisa que lhe começou a acontecer na infância, quando ainda nem sabia escrever e a palavra “outrora” a fascinou tanto que ditou uns versos à mãe. Veio a escola, a aprendizagem das letras, e os poemas escreveram-se, confiados a uma imensidão de papelinhos, lidos a amigos, a aguardar em caixas o momento certo para se revelarem. Por volta dos 34 anos, já enraizada na vida académica, publicou o primeiro livro “Minha Senhora de Quê”. De lá para cá, a voz de Ana Luísa Amaral tomou o seu lugar na poesia, reconhecida e recompensada em prémios sucessivos, a merecer em 2021 o Prémio Reina Sofia, o maior galardão de poesia do espaço ibero-americano.

Encontrámos a autora no lugar onde construiu este seu livro, “Mundo”. Está na altura de a conhecermos melhor.

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Ficha Técnica

  • Título: Nada Será Como Dante
  • Tipologia: Extrato de Programa Cultural - Reportagem
  • Produção: até ao Fim do Mundo
  • Ano: 2021