Bulhão Pato, um poeta e um prato de amêijoas
Raimundo António de Bulhão Pato foi monárquico, gastrónomo, memorialista, mas o seu sonho era entrar para a história como poeta. Eça de Queirós caricaturou-o numa personagem dos Maias, mas hoje é mais conhecido por uma receita de amêijoas preparada em sua homenagem.
Consta que a personagem Tomás de Alencar – poeta ultra-romântico, falso moralista, crítico das modernidades e desfasado do seu tempo – criado por Eça de Queiróz na sua obra “Os Maias“, se baseou em Bulhão Pato, e a suspeita alimentou os debates culturais da época, colocando ambos em confronto aberto.
Ainda hoje se discute se Eça estava ou não a caricaturá-lo, mas é certo que o Alencar querosiano teria muitas semelhanças com o poeta. O primeiro livro de poesia de Bulhão Pato foi publicado em 1850, mas a fama a que aspirava não se materializou. Apesar de ser visto por algumas personalidades da sua época como um importante autor, a sua inspiração no período romântico não convencia as gerações mais novas.
Publicou também memórias onde descreve o ambiente da época e os contactos que manteve com importantes figuras da sociedade e da cultura, documentos considerados como importantes legados às gerações seguintes.
Bulhão Pato era ainda um gastrónomo e o seu nome ficou ainda associado a uma receita de amêijoas de, que no entanto, não era autor. Foi o chefe de cozinha do Hotel Central de Lisboa, João da Mata, seu admirador confesso, que pela primeira vez as cozinhou, resolvendo homenagear o poeta dando o seu nome ao petisco.
O autor era, no entanto, mais conhecido pelas suas receitas de caça, com as quais recebia amigos e convidados. Algumas tiveram até direito a publicação em periódicos da época onde se fazia publicidade de receitas como Açorda à Andaluza, Perdizes à Castelhana, Arroz Opulento ou Lebre à Bulhão Pato.
A série documental “À porta da História” traz para o domínio do grande público 13 portugueses que se destacaram no seu tempo e, através das suas ações ou da sua obra e conquistaram um lugar na galeria de notáveis. São personalidades com percursos inesperados e cheios de curiosidade que, por acasos do destino, deslizaram para uma zona obscura do mediatismo histórico.
Foram notáveis. Fizeram obra. Muitos deixaram seguidores e influenciaram as gerações seguintes, mas são pouco recordados nas efemérides, nas comemorações, nos manuais escolares ou nas páginas de jornais.
Temas
Ficha Técnica
- Título: À porta da História - Raimundo António de Bulhão Pato
- Tipologia: Programa
- Autoria: Jorge Nunes/ Jorge Paixão da Costa/ Pandora da Cunha Teles
- Produção: Ukbar Filmes/RTP
- Ano: 2015