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Cahora Bassa, na garganta do Zambeze

A história de Cahora Bassa mistura-se com a da luta pela independência de Moçambique. Enquanto Portugal levava a cabo a sua maior empreitada pública no ultramar, ia perdendo terreno para os guerrilheiros independentistas da Frelimo. Cahora Bassa é um gigante no fim do percurso do rio Zambeze e o segundo maior complexo hidroelétrico de África.

Entre os vales e montanhas da província moçambicana de Tete encontra-se um dos maiores empreendimentos de energia elétrica do mundo. A barragem de Cahora Bassa foi construída entre 1970 e 74, envolvendo dois mil trabalhadores por ano. Foi erguida num local de difícil acesso, onde o rio Zambeze corre apertado, transformando-se no mais ousado e caro projeto de obras públicas do colonialismo português. A albufeira tem 250 quilómetros de comprimento por 38 de largura, formando um dos maiores lagos de África.

Foi projectada no âmbito do Plano de Desenvolvimento do Vale do Zambeze com o objetivo de fixar um milhão de colonos rurais e também formar uma barreira que evitasse a progressão da da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) a partir do norte do país. Saiu, a Portugal, o “tiro pela culatra”: os guerrilheiros, com ataques sistemáticos às linhas de abastecimento elétrico, obrigaram à concentração de militares portugueses na região, desguarnecendo o resto do país e abrindo, assim, caminho aos independentistas, que 1973 chegavam à Beira.

Pertença do novo país, com a paz assinada em Lusaka, Portugal continuaria a deter a maioria do capital do consórcio. A guerra civil foi fatal para a HCB (Hidroelétrica de Cahora Bassa), que em 1984 só funcionava a um por centro da sua capacidade. Em final dos anos noventa é restabelecido o fornecimento elétrico interno e externo e arrancam as negociações para o acordo de entrega da totalidade da barragem, que se concretizou em 2006 com os moçambicanos a classificarem o momento como uma segunda independência.

Ficha Técnica

  • Título: História a História África - Cahora Bassa, episódio 10
  • Tipo: Documentário
  • Autoria: Fernando Rosas
  • Produção: RTP / Garden Films
  • Ano: 2017

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