Início do segundo cerco de Paris pelos vikings
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Milhares de guerreiros escandinavos chegaram a Paris a 24 de novembro de 885, cercando uma cidade que correspondia ao que conhecemos hoje como Île-de-France. Os vikings não conseguiram quebrar as defesas dos francos, apesar de terem permanecido ali durante quase um ano.

Foi nesse dia que chegou a Paris, subindo o Sena, uma armada de cerca de 300 embarcações que transportava dezenas de milhares de guerreiros escandinavos, a que habitualmente chamamos de vikings. A força era comandada pelos chefes Siegfred e Sinric e provinha da região correspondente à atual Dinamarca.

Após saquearem a costa, os vikings exigiram um resgate ao rei dos Francos, Carlos, o Gordo, e subiram o Sena após este ter recusado. Em Paris fizeram igual exigência, que foi igualmente negada. Paris era, no século IX, uma ilha fortificada, a que chamamos hoje Île-de-France. Devido a ataques anteriores, os seus habitantes, liderados pelo Conde Odo, tinham reforçado as defesas e construído duas pontes fortificadas que impediam a passagem dos navios.

Ao longo de quase um ano, os invasores assediaram a cidade, por vezes com o uso de máquinas de guerra, mas não conseguiram quebrar as defesas. A chegada do exército do rei, em outubro de 886, levou os vikings a subir o Sena em busca de outras pilhagens e, finalmente, a abandonar o reino, no ano seguinte.

 

  • Quais foram os motivos que levaram a essa incursão?

Desde os finais do século VIII que os vikings assolavam as costas das ilhas britânicas e da Europa Ocidental, com incursões que associavam a pilhagem ao comércio. Tratou-se da chamada expansão viking, que envolvia a exploração de rotas marítimas no Atlântico Norte, na Gronelândia, no Báltico ou na Rússia e que levou igualmente os navios escandinavos a navegar ao longo da Península Ibérica e no Mar Mediterrâneo.

No caso específico da região que corresponde à atual França, os nórdicos atacaram por diversas vezes as zonas costeiras e a própria cidade de Paris tinha sido saqueada em 845. A estratégia dos chefes vikings passava invariavelmente por exigir resgates aos reis francos, ou seja, ao império carolíngio de Carlos Magno, com o qual existia uma clara rivalidade. O facto de se tratar de regiões vulneráveis a incursões marítimas e de o império carolíngio se afirmar como herdeiro do Império Romano e campeão da cristandade, enquanto os vikings eram pagãos, acirrava naturalmente a hostilidade mútua.

 

  • Quais foram as consequências do cerco de Paris?

A retirada dos vikings sem conseguirem quebrar as defesas de Paris foi uma importante derrota da sua estratégia de fazer incursões ao longo do Sena, que voltariam, porém, a levar a cabo alguns anos mais tarde. Demonstrou, por outro lado, a importância estratégica da cidade para a defesa do reino dos francos. No entanto, os efeitos mais profundos do cerco foram políticos.

O rei Carlos, o Gordo mostrou fraqueza e hesitação ao enfrentar a ameaça nórdica, tendo mesmo chegado a pagar um resgate aos invasores, no final do cerco de Paris. O seu fraco desempenho durante a crise valeu-lhe, portanto, o descrédito e a desconfiança da nobreza franca. Quando morreu, no ano seguinte, os nobres francos escolheram para lhe suceder, uma vez que Carlos não deixou descendência, precisamente Odo, o Conde de Paris que liderou a defesa da cidade e que foi o primeiro rei da chamada dinastia robertina.

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Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Início do cerco de Paris pelos vikings
  • Tipologia: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Cerco de Paris pelo Vikings: Autor desconhecido (1884)