O princípio da desigualdade há 3000 anos

Estas duas peças em cerâmica ilustram a história que aqui vai ser contada pelo arqueólogo Luiz Oosterbeek. Pertencem a comunidades diferentes, ligadas pelo comércio de metais. De um lado simplicidade, do outro sofisticação. Mas o que vemos na imagem não é só artesanato, é a evidência de que não temos todos acesso às mesmas coisas. A desigualdade começava a marcar o mundo.

Primeiro o bronze, depois, o ferro. Com o aparecimento dos metais a paisagem humana transformou-se. Desenvolveram-se regiões, construíram-se civilizações. Foram introduzidas novas atividades e, a crescente procura destas matérias-primas alimentou a criação de importantes redes comerciais.  

Na bacia do rio Tejo, floresce uma povoação dedicada à exploração mineira. Parte do que ali é extraído vai para o outro lado do Mediterrâneo, para a ilha de Chipre, onde a sua utilização é conhecida desde há séculos. Possuir metal trazia prestígio, e estes mercadores podem comprar o que não conseguem produzir.  

As duas comunidades não serão muito diferentes no entendimento que têm da vida, mas apesar do contacto direto, parecem habitar tempos históricos diferentes. Vejamos o exemplo da escrita. Enquanto na Península Ibérica ainda não é um instrumento de comunicação fundamental, na terra de onde vêm estes mercadores, é uma técnica por muitos dominada e usada.

Também nas peças de cerâmica dos artesãos do bronze e do ferro, como a urna cinerária e o púcaro destacados neste artigo e expostos no Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes, reconhecemos uma estética influenciada e associada ao poder, à riqueza, às circunstâncias de cada região. Assim, no mesmo período, os contrastes acentuam-se. Para o arqueólogo Luiz Oosterbeek, é o princípio da  desigualdade. O princípio de uma história que não tem fim. 

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Ficha Técnica

  • Título: Visita Guiada - Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes
  • Tipologia: Excerto de Programa de Cultura Geral
  • Autoria: Paula Moura Pinheiro
  • Produção: RTP
  • Ano: 2022