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Lopo Soares de Albergaria, vice-rei da Índia

Lopo Soares de Albergaria era um fidalgo português, originário da média nobreza mas com ligações a algumas famílias poderosas da corte. Na sua infância foi moço fidalgo da Casa Real e já adulto, foi capitão da fortaleza de S. Jorge da Mina, na costa africana, entre 1495 e 1499. Em 1504 o rei concedeu-lhe o comando da armada para a Índia, onde adquiriu experiência militar nos combates contra o samorim de Calicut, regressando a Portugal no ano seguinte.

Afonso de Albuquerque estava há vários anos no comando das forças portuguesas no Índico e D. Manuel, apesar de ter plena confiança nele, cedeu às pressões crescentes que na corte clamavam contra a sua atuação e exigiam o seu regresso ao reino. Albuquerque era adepto dos planos do rei na Índia, ou seja, partilhava dos projetos imperiais de D. Manuel que previam uma aliança com a Etiópia contra mundo muçulmano e um forte teor belicista e militar no Golfo Pérsico e no Médio Oriente.

Era um governador que exercia um forte controle sobre os oficiais e os soldados, o que lhe granjeou grandes inimizades e descontentamento. Além disso, fez conquistas militares (Goa, Malaca), sem estar mandatado pelo rei para isso. Na corte, existia uma fação que se opunha fortemente às ações de Albuquerque e que era encabeçada pelo barão do Alvito. Foi este quem convenceu o rei a enviar o sobrinho, Lopo Soares de Albergaria, como novo vice-rei da Índia. Quando chegou a Goa, encontrou Albuquerque moribundo, e naturalmente tomou posse do seu cargo logo após a morte deste, a 16 de dezembro.

 

  • Como foi o vice-reinado?

O governo de Lopo Soares de Albergaria teve como característica principal o abandono ou inversão das principais medidas e políticas de Albuquerque, como era de esperar. O vice-rei era partidário de uma política de teor mais liberal, ou seja, que concedesse maior liberdade de movimentos e de negócios aos oficiais, fidalgos e soldados portugueses. Assim, extinguiu as “companhias de ordenança” criadas por Albuquerque, uma espécie de embrião de exército regular, e concedeu liberdade para que todos pudessem deixar as fortalezas e as armadas. Abandonou igualmente a política agressiva e belicista de Albuquerque; fez uma expedição ao Mar Vermelho sem quaisquer consequências, e chegou mesmo a rejeitar a rendição da cidade de Adém.

O rei D. Manuel tinha tentado reverter a sua nomeação como vice-rei ainda em vida de Albuquerque. Portanto, aguardou que o seu tempo de serviço se esgotasse e escolheu para lhe suceder um homem de confiança para retomar os seus projetos, Diogo Lopes de Sequeira. Quanto a Lopo Soares, sabe-se pouco da sua biografia depois de ter regressado ao reino, apenas que viveu os seus últimos dias em Torres Vedras e que terá morrido pouco depois, por volta de 1520.

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  • Temas: História
  • Ensino: 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Lopo Soares de Albergaria sucede a Afonso de Albuquerque no governo da Índia
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2016

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