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Naufrágio da nau “Flor de la Mar” no Estreito de Malaca

Flor de la Mar é o nome de uma célebre nau portuguesa do século XVI que naufragou algures na costa norte da ilha de Samatra, quando viajava para a Índia com o espólio do saque de Malaca, conquistada por Afonso de Albuquerque em agosto de 1511. Não se sabe o dia exato em que ocorreu o naufrágio, apenas que terá sido nos finais desse ano, mas a tradição consagrou a data de 20 de novembro.

Era uma nau de 400 toneladas, construída em Lisboa, que desempenhou um papel importante em várias missões levadas a cabo pelos portugueses na Ásia. Fez a sua primeira viagem à Índia em 1502, na segunda armada de Vasco da Gama, e regressou a Portugal cinco anos mais tarde. Em 1509, participou na célebre Batalha de Diu, na qual os portugueses infligiram uma pesada derrota a uma armada egípcia. Era o navio preferido do vice-rei D. Francisco de Almeida e o seu sucessor, o governador Afonso de Albuquerque, utilizou-a na expedição que preparou para tomar Malaca, dois anos mais tarde.

 

  • Qual foi a causa do naufrágio?

A Flor de la Mar estava já em mau estado quando fez a viagem da Índia para Malaca. Quando Afonso de Albuquerque decidiu regressar, hesitou em utilizá-la, tal era o seu estado de degradação. Contam os cronistas, aliás, que ninguém quis embarcar nela, e que o governador decidiu comandá-la ele próprio para dar o exemplo. Carregou-a, então, com o saque da cidade mas reduziu ao mínimo o número de passageiros e da tripulação, e largou de Malaca com mais dois navios rumo a Cochim. Pouco depois da partida, a velha nau não resistiu ao mar agitado e partiu-se em duas, naufragando junto à costa da ilha de Samatra, em local incerto.

Afonso de Albuquerque salvou-se a custo, assim como parte dos seus homens, mas a carga perdeu-se na sua quase totalidade. E foi precisamente esta carga, e a sua perda, que deu origem a uma fabulosa história que continua ainda hoje a inflamar a imaginação dos caçadores de tesouros em todo o mundo.

 

  • Que história é?

Quem quer que hoje faça uma busca pelo nome da nau na internet depara com um grande número de informações acerca de um fantástico tesouro ainda por encontrar. Há quem fale em toneladas de ouro e em enormes quantidades de pedras preciosas. Merece especial destaque uns leões de ouro maciço que teriam pertencido ao sultão de Malaca e que Afonso de Albuquerque pretenderia transportar para Portugal.

Estas histórias são ocasionalmente veiculadas pela imprensa, sobretudo quando surgem informações de que alguém terá encontrado o seu rasto. No entanto, estas histórias não têm fundamento; as fontes portuguesas falam, sim, de leões, mas de ferro e não de ouro, e não mencionam nenhum tesouro. Além disso, um dos cronistas que reportam a perda do navio afirma que a sua carga deu à costa das praias de Samatra e que foi recolhida pelo rei local. As histórias acerca do tesouro da Flor de la Mar ainda por descobrir são, portanto, manifestamente exageradas e não passam de um mito que alimenta a imaginação da opinião pública e a sua apetência por histórias de tesouros fabulosos.

 

Ouça aqui outros episódios do programa Dias da História

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Naufrágio da nau “Flor de la Mar” no Estreito de Malaca
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Roteiro de Malaca: Francisco Rodrigues

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