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O “Massacre de Nanquim”, na China

O "Massacre de Nanquin" foi uma sucessão de atrocidades cometidas pelas tropas japonesas nas semanas que se seguiram à entrada na cidade de Nanjing, ou Nanquim, que ocorreu nesse dia 13 de dezembro de 1937.

Assassínios em massa, execuções indiscriminadas, violações, pilhagens, mutilações e todo o tipo de violências sobre a população civil da cidade foram registadas por diversas testemunhas, tanto chinesas como ocidentais. O balanço total da chacina é incerto e permanece um assunto polémico, oscilando os cálculos entre os 50 e os 300 mil mortos.

O general Isawi Matsui, o comandante do exército japonês, reconheceu mais tarde que foram cometidos abusos por parte de alguns oficiais e soldados, mas recusou-se a admitir a ocorrência de qualquer massacre sobre a população chinesa.

Há autores que afirmam que o massacre de Nanquim foi apenas um episódio, talvez o mais chocante, de um longo historial de atrocidades cometidas pelas tropas imperiais ao longo da 2ª Guerra Sino-Japonesa, que teve início poucos meses antes deste incidente.

 

  • E o que foi esta guerra?

Chamou-se 2ª Guerra Sino-Japonesa à retomada do conflito entre o Japão e a China em 1937, após a ocupação da Manchúria, em 1931. A China estava então mergulhada em plena guerra civil, que opunha as forças nacionalistas de Chang Kai-Shek ao Exército Vermelho de Mao Tsé Tung.

Este estado de fraqueza favorecia naturalmente os projetos expansionistas do Japão imperial que, após um incidente com as tropas chinesas, em julho de 37, lançou uma invasão em larga escala. Xangai foi atacada e caiu em novembro, após o que os japoneses avançaram para Nanquim, que era então a capital do governo chinês.

A cidade tornou-se o refúgio para centenas de milhares de civis e soldados chineses, que fugiam de forma caótica ao avanço das tropas inimigas. Não dispondo de recursos suficientes para resistir eficazmente aos invasores, que contavam com apoio aéreo e submeteram a cidade a bombardeamentos sucessivos, Nanquim resistiu poucos dias e caiu a 13 de dezembro.

 

  • Qual foi o impacto do massacre?

As atrocidades cometidas pelas tropas japonesas em Nanquim foram registadas por diversas testemunhas e os seus responsáveis foram julgados e condenados após a derrota do Japão, em 1945. No entanto, o responsável supremo pela ocupação da cidade, o príncipe Asaka, nunca foi julgado, por pertencer à família imperial.

O massacre só veio a merecer a atenção da opinião pública mundial na década de 1970, quando o assunto foi investigado e descrito por vários autores, tanto chineses como japoneses. Desde então, foi tema de documentários, filmes, romances e obras de investigação, e continua a levantar intensa polémica, permanecendo como um obstáculo para a normalização das relações entre a China e o Japão.

Em 1995, o primeiro-ministro japonês pediu formalmente desculpas pelas agressões cometidas pelo Japão durante a guerra, mas não mencionou este episódio, o que foi considerado insuficiente e uma forma de evitar o reconhecimento oficial da ocorrência do massacre.

  • Temas: História
  • Ensino: 2º Ciclo, 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Início do Massacre de Nanquim
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Fotografia: Chineses a serem enterrados vivos pelos japoneses em Nanquim

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