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Ultimato britânico a Portugal

Na manhã de 11 de janeiro de 1890, George Glyyn Petre, o legado britânico em Lisboa, entregou ao governo português uma breve nota que continha uma mensagem simples: o governo deveria telegrafar imediatamente às autoridades em Moçambique e ordenar a retirada de todas as forças militares portuguesas dos territórios entre essa região e Angola.

Sem esta ordem clara e expressa, quaisquer outras medidas seriam consideradas enganadoras. Todos os membros da missão diplomática britânica regressariam de imediato a Londres, num navio que os aguardava no porto de Vigo, caso não houvesse uma resposta satisfatória na tarde desse mesmo dia.

Poucas horas depois, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Henrique de Barros Gomes, comunicou ao embaixador a cedência à exigência britânica, mas reafirmou os direitos de Portugal sobre os territórios em causa e informou-o de que o governo iria solicitar a mediação e arbitragem internacionais para resolver o litígio.

 

  • Quais foram as razões do ultimato?

A intimação do governo britânico foi o passo final de um processo de tensão crescente entre Londres e Lisboa sobre as regiões do continente africano que correspondem hoje ao Zimbabué e Zâmbia.

A Conferência de Berlim, em 1885, tinha estabelecido as regras da expansão europeia em África, segundo as quais as pretensões de cada potência teriam de ser provadas e confirmadas com uma presença real no terreno.

Por essa altura, Portugal desenvolvia um projeto colonial ambicioso de reconhecimento e exploração dos territórios entre Angola e Moçambique e que ficou conhecido como “Mapa Cor-de-Rosa”. Várias expedições, como a de Silva Porto, tentaram assinalar no terreno a presença de Portugal nessas zonas, reclamando direitos de posse e firmando acordos com os poderes africanos.

Porém, este projeto colidia frontalmente com os interesses da Grã-Bretanha. Após vários anos de tensão diplomática e de ação no terreno, o governo britânico decidiu agir de forma rápida e definitiva, intimando Portugal a retirar-se imediatamente dos territórios em causa.

 

  • O que aconteceu depois?

O projeto do “mapa cor-de-rosa” era, na realidade, uma quimera colonial impraticável, porque a ocupação efetiva do vastíssimo território em questão exigia um enorme volume de recursos de que Portugal não dispunha.

Por outro lado, era evidente que os interesses coloniais portugueses dependiam do alinhamento estratégico com a Grã-Bretanha e, portanto, não havia outra saída senão ceder e negociar, que foi o que efetivamente veio a ocorrer.

Isto não impediu que o recuo de Portugal fosse visto, na opinião pública, como uma humilhação nacional, imediatamente utilizado pela propaganda republicana como uma prova da incapacidade da monarquia de defender os interesses nacionais.

Houve manifestações anti-britânicas por todo o país e chegou a ser feita uma subscrição nacional para a aquisição de um navio de guerra para defender os interesses portugueses em África.

O governo demitiu-se três dias depois e a crise política que se seguiu abalou a credibilidade e o prestígio do regime monárquico, prenunciando a sua queda que veio a ocorrer vinte anos mais tarde.

Ouça aqui outros episódios do programa Dias da História

  • Temas: História
  • Ensino: 1º Ciclo, 3º Ciclo, Ensino Secundário

Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - Ultimato britânico a Portuga
  • Tipo: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2018
  • Imagem: Cartoon retratando o Ultimatum Inglês.

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