A história do jornal “O Século”

O jornal "O Século" foi um dos maiores diários do país, mas dificuldades financeiras surgidas a meio do século passado, agravadas pela situação económica e a nacionalização do pós-25 de abril, condenaram-no à falência.

Fundado a 4 de janeiro de 1881, o jornal “O Século” empenhou-se na afirmação inicial do projecto republicano, muito à imagem do primeiro director, o jornalista e advogado Sebastião Magalhães Lima. Este periódico contou desde o início com a colaboração de uma elite de jornalistas e intelectuais republicanos que, em conjunto com algumas campanhas críticas à monarquia, atraíram a atenção do público e criaram grande dinamismo empresarial. Mesmo assim, o jornal viveu um período economicamente complicado nos anos 20, até João Pereira da Rosa assumir a sua administração.

Na primeira metade do século XX, a empresa tornou-se uma das mais importantes do setor. Acrescentou suplementos ao jornal e publicou outros títulos, como o “Almanaque d’ O Século”, “Século Cómico”, “Ilustração Portuguesa”, “Século Ilustrado”, “Os Sports”, “Século Agrícola”, “Modas & Bordados”, “Vida Mundial” ou o “Cinéfilo”, entre outros.

Afirmou ainda a sua popularidade junto do público patrocinando centenas de iniciativas de diversão e solidariedade social, com a Colónia Balnear Infantil, em São Pedro do Estoril, a assumir um papel preponderante nesta estrutura.

Nos anos 50 e 60, o jornal voltou a encontrar dificuldades que se agravaram no princípio dos anos setenta e ainda antes da revolução de abril de 1974. Após o fim do Estado Novo, acentuaram-se as convulsões. Sem conseguir recuperar a vitalidade de outros tempos, “O Século”, como outros órgãos de comunicação social, foi nacionalizado e, em 1979, encerrado com a promessa que reabriria após um reestruturação, que nunca aconteceu. Cerca de 800 trabalhadores ficaram desempregados.

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