A fundação da Companhia de Jesus

Pela bula Regimini militantes Ecclesiae, ou seja, “o governo da igreja militante”, o papa Paulo III aprovou em 27 de setembro de 1540 a constituição de uma nova ordem religiosa. Tratou-se, no entanto, do seu reconhecimento oficial e não da sua criação.

Esta tinha ocorrido seis anos antes, em agosto de 1534, quando sete estudantes da universidade de Paris se reuniram e fizeram um voto de pobreza, castidade e obediência.

Chamaram-se a si próprios “companhia de Jesus”, no duplo sentido de “companhia” militar, para vincar o seu caráter militante, e de confraria, ou seja, de irmandade.

O basco Inácio de Loyola era o elemento mais importante deste grupo fundador, que contava também com Francisco Xavier, de Navarra, e com um português, chamado Simão Rodrigues.

Em 1537, o pequeno grupo viajou para Itália a fim de obter a aprovação papal da nova ordem religiosa, que foi finalmente concedida ao fim de algum tempo.

 

  • Quais foram os motivos para o surgimento desta nova ordem religiosa? 

A Companhia de Jesus surgiu num momento em que a Igreja Católica atravessava um período de crise. O surgimento da Reforma Protestante havia quebrado a unidade religiosa da Europa Ocidental e lançava dúvidas e incertezas sobre o futuro do credo católico.

Por outro lado, a própria autoridade do papa encontrava-se seriamente afetada, não apenas devido a uma sucessão de escândalos e de acusações de nepotismo e de corrupção, mas também pelo saque de Roma pelas tropas do imperador Carlos V, em 1527.

A imagem de um papa cercado na sua fortaleza enquanto a cidade era saqueada por mercenários alemães era o testemunho chocante do declínio da Igreja. Havia, portanto, toda uma necessidade de renovação, de que a nova Companhia de Jesus foi uma resposta oportuna.

A sua ação militante assentava na obediência total ao papa, na disciplina rigorosa e na pregação universal, o que explica porque se tornou um dos pilares fundamentais do processo da Reforma Católica.

 

  • Que sucesso teve? 

Os jesuítas foram os principais agentes da expansão do catolicismo por todo o mundo, ao longo dos séculos XVI e XVII, em boa parte graças à proteção concedida pelas coroas de Portugal e de Espanha.

Foram criadas missões em África, na Ásia e na América, que rapidamente se expandiram. O sucesso ficou igualmente a dever-se ao trabalho da Companhia no ensino, através de novos métodos de evangelização, da adaptação aos hábitos culturais de cada região e de cada reino e de um trabalho sólido e competente.

No século XVIII, o poder da Companhia de Jesus era de tal maneira extenso que se tornou uma ameaça para os próprios estados que a tinham promovido nos seus domínios. Acabou, assim, por ser decretada a sua extinção em Portugal, em Espanha e noutros reinos da Europa, vindo depois a ser gradualmente reabilitada ao longo do século XIX.

Hoje, os jesuítas readquiriram boa parte do seu prestígio no campo do ensino e da cultura, reforçado, em 2013, pela eleição do Papa Francisco, o primeiro papa jesuíta da História.

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Ficha Técnica

  • Título: Os Dias da História - A Fundação da Companhia de Jesus
  • Tipologia: Programa
  • Autoria: Paulo Sousa Pinto
  • Produção: Antena 2
  • Ano: 2017
  • Imagem: Cristo vestido de jesuita. Igreja de San Julián y San Miguel, Valadolide.