A tradição do sal no estuário do Mondego

Os homens puxavam o sal e as mulheres, descalças, transportavam os cristais salgados em cestas, à cabeça, com mais de 20 quilos. A safra à moda antiga é agora uma imagem a preto e branco, uma fotografia que ficou do século passado, quando esta arte era um negócio proveitoso em Portugal. Vamos saber como se fazia - e faz- a extração do ouro branco no salgado da Figueira da Foz.

Antigamente a paisagem era das salinas e dos pequenos montes brancos. Um jardim de sal, dizia-se na Figueira da Foz. Porém, a indústria salineira nacional ganhou forte concorrência nas últimas décadas e a produção diminuiu drasticamente. A tradição de se fazer sal no estuário do Mondego  já contou 300 salinas; hoje não chega à meia centena e com poucos braços para fazer a safra que vai de maio e termina quando surgem as primeiras chuvas, lá para setembro ou outubro.

Marnoteiros e salineiras, “imagem emblemática do salgado da Figueira”, os homens e as mulheres que produziam o bom sal indispensável à conservação dos alimentos, que era utilizado pelas frotas do bacalhau e da sardinha, procuram manter viva a arte milenar, mas também eles estão a desaparecer. Património a preservar, seja por alguns jovens que abraçam a profissão, seja pelo museu do sal, único no país, que a partir de Lavos divulga esta cultura ancestral.

As salinas da Figueira foram armadas junto ao mar, em meados do século XII, onde as águas do Mondego encontram o mar Atlântico. Os pequenos cristais salgados conseguidos por evaporação solar, muitas vezes foram transportados rio acima até às terras beirãs, ganharam fama na Europa e peso na economia, sobretudo a partir de oitocentos. Começava aqui a época do ouro branco português, simples cloreto de sódio, que no tempo dos romanos serviu para remunerar soldados.

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Ficha Técnica

  • Título: Sal
  • Tipologia: Extrato de Documentário
  • Autoria: Anabela Saint -Maurice
  • Produção: RTP
  • Ano: 2015