Fernando Assis Pacheco: poesia como ato de liberdade

Fez versos intimistas, intensos, vindos da sua geografia sentimental. Fernando Assis Pacheco começou por ser jornalista nos tempos da censura. Habituado a escrever, atirou-se a outros géneros com a mesma paixão e a mesma linguagem coloquial, terna, cuidada. Da sua poesia fala-nos o crítico literário Abel Barros Baptista.

Não fazia poesia para mudar o mundo, mas para o avaliar, sem rodeios. Característica do jornalista que Fernando Assis Pacheco sempre foi, antes de tudo, e que dava sentido a tudo o que escrevia. Os versos surgiam de um trabalho variado, irregular, como um ato de liberdade, refere o crítico Abel Barros Baptista.Versos inspirados na vida quotidiana, nos sentimentos e afetos e na guerra colonial em Angola, para onde fora mandado pela ditadura.

A terrível experiência do jovem militar havia de ficar registada nos textos do romancista e poeta. Foi ele, aliás, um dos primeiros a trazer esta realidade histórica e política para a literatura. Em 1972 publicava “Catalabanza, Quilolo e Volta”, o livro dos poemas escritos durante os dias em que fora obrigado a ser soldado.

Dizem que a guerra passa: esta minha
passou-me para os ossos e não sai

“Dembos”

Todos os poemas de Fernando Assis Pacheco (1937-1995), os antigos, os inéditos e os dispersos, pertencem à edição aumentada de “A Musa Irregular”. Assim, como no título, ela aparecia.

“Canção do Ano 86” de Fernando Assis Pacheco
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“Navegações”, de Sophia de Mello Breyner Andresen
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Temas

Ficha Técnica

  • Título: Literatura Aqui
  • Tipologia: Extrato de Magazine Cultural - Reportagem
  • Produção: até ao Fim do Mundo
  • Ano: 2019